Sobe para 29 número de desaparecidos na Itália

Costa Concordia. Foto AP Direito de imagem Reuters
Image caption Chances de encontrar sobreviventes são pequenas; navio levava 4,2 mil a bordo

As autoridades italianas atualizaram na noite desta segunda-feira para 29 o número de desaparecidos no naufrágio do cruzeiro Costa Concórdia.

Pelo menos seis pessoas morreram no incidente com o navio, que transportava 4,2 mil pessoas, entre passageiros e tripulantes. Até então as autoridades trabalhavam com o número de 16 desaparecidos.

O Itamaraty confirmou que 57 brasileiros, turistas e funcionários, viajavam no cruzeiro. Todos foram resgatados com vida.

As autoridades também podem declarar estado de emergência, já que cerca de 2,4 mil toneladas de combustível poderiam vazar do navio, causando um grande impacto ambiental na costa da Toscana.

O Costa Concordia naufragou na noite de sexta-feira, após se chocar com uma rocha na ilha de Giglio.

O chefe da guarda costeira loca, Marco Bruso, disse que ainda há uma "ponta de esperança" de encontrar sobreviventes, mas reconheceu que as chances são pequenas.

A maioria dos passageiros era dos Estados Unidos, Alemanha, França e Itália. A embarcação havia deixado o porto de Civitavecchia na manhã de sexta-feira para um cruzeiro de uma semana pelo Mediterrâneo.

Capitão

A promotoria italiana acusou formalmente o capital do navio, Francesco Schettino, de homicício doloso (sem intenção de matar).

"O capitão está em uma situação muito difícil, porque já estamos certos de que ele abandonou o navio quando muitos passageiros ainda esperavam para serem evacuados", disse o promotor Francesco Verusio.

A transcrição do que seria uma conversa entre o capitão e um guarda-costeiro, divulgada pela imprensa italiana, comprovaria que o capitão teria deixado o navio antes do restante dos passageiros.

Schettino nega irregularidades e diz que as cartas náuticas não apontaram a existência das rochas. Ele diz ainda que sua equipe foi a última a deixar a embarcação.

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Image caption Francesco Schettino é acusado de homicídio doloso; ele nega responsabilidade

O advogado do capitão, Bruno Leporatti, disse que seu cliente está "comovido e quer expressar suas condolências às vítimas". Ele disse ainda que Schettino teria feito uma manobra perigosa que teria salvo muitas vidas.

No domingo, a empresa que opera o navio já havia indicado que erros cometidos pelo capitão teriam causado o acidente.

De acordo com a Costa Cruzeiros, Schettino teria conduzido a embarcação perto demais da costa, além de não seguir os procedimentos de segurança determinados pela empresa.

Caos

Muitos sobreviventes relataram cenas de pânico e muita falta de organização na retirada dos passageiros após o choque.

Alguns pularam na água gelada e nadaram os cerca de 300 metros que separavam a embarcação de terra firme. Outros se abrigaram no deck do navio e foram retirados de helicóptero.

Também houve relatos de que a tripulação não teria comunicado corretamente as instruções para a saída do navio.

Vários sobreviventes disseram que tiveram de engatinhar pelos corredores já inclinados e compararam o acidente ao naufrágio do Titanic, em 1912, no qual mais de 1.500 pessoas morreram. O Titanic levava 2228 pessoas a bordo.

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