Capitão ignorou ordem de retornar ao navio, diz imprensa italiana

Costa Concórdia (Andreas Solaro/AFP) Direito de imagem Andreas Solaro AFP
Image caption Capitão pode ser indiciado por homicídios e abandono de navio

Gravações da caixa preta do navio Costa Concordia e de ligações telefônicas, obtidas pela imprensa italiana, indicam que o capitão da embarcação, Francesco Schettino, teria ignorado uma ordem da guarda costeira italiana para retornar ao navio e coordenar a retirada dos passageiros e tripulantes.

O Costa Concordia naufragou na costa italiana na noite de sexta-feira, com mais de 4.200 pessoas a bordo, incluindo cerca de mil tripulantes. Até a manhã desta terça-feira, seis corpos já haviam sido resgatados e 29 pessoas ainda estavam desaparecidas.

O presidente da empresa operadora do navio responsabilizou Schettino, de 52 anos, pelo acidente, afirmando que ele foi provocado por erro humano.

Schettino foi detido pela polícia italiana no sábado para interrogatório e pode ser indiciado por homicídios e por abandonar o navio.

‘Quer ir para casa?'

De acordo com os relatos publicados pela imprensa italiana, em uma conversa com a guarda costeira várias horas após o navio se chocar com a rocha que provocou seu naufrágio, Schettino dá respostas evasivas, sugerindo que não estava no controle da retirada dos ocupantes do navio.

"O que você está fazendo? Está abandonando o resgate? Capitão, isto é uma ordem, estou no comando agora. Você declarou 'abandonar o navio'", afirma o oficial da guarda-costeira a Schettino em determinado momento da conversa.

Ao ouvir do oficial que já havia corpos de mortos encontrados, Schettino pergunta quantos e ouve como resposta: "Isso é para você me dizer. O que você está fazendo? Quer ir para casa?", questiona o interlocutor.

Ainda segundo as gravações obtidas pela imprensa italiana, o choque do navio com a rocha teria ocorrido às 21h45 (18h45 de Brasília), mas o capitão somente teria declarado problemas com a embarcação 49 minutos depois.

O primeiro alarme recebido pela guarda costeira teria vindo com a chamada de um passageiro do navio, às 22h06. A guarda-costeira contactou então a tripulação do navio, mas foi informada que havia apenas um problema elétrico.

Em uma entrevista à TV italiana no domingo, Schettino havia afirmado ter sido o último a deixar o navio e disse que as cartas náuticas não indicavam a presença de rochas no local do acidente.

Schettino, que trabalha para a Costa Crociere há 11 anos, se tornou capitão em 2006.

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