Justiça decreta prisão domiciliar de capitão de cruzeiro italiano

Francesco Schettino. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Gravação mostrou que Schettino deixou navio antes do resgate de todos os passageiros

A Justiça da Itália decretou a prisão domiciliar do capitão do cruzeiro Costa Concordia, Francesco Schettino, suspeito de ser o responsável pelo naufrágio da embarcação.

Segundo os promotores, Schettino foi negligente ao ter deixado o navio enquanto passageiros seguiam a bordo.

Schettino nega responsabilidade e argumenta ter salvado a vida de “centenas, até milhares, de pessoas” do cruzeiro, com 4,2 mil passageiros e tripulantes a bordo.

A gravação de uma conversa entre o capitão e um oficial da guarda-costeira, no entanto, mostra que ele já estava em terra quando o resgate ainda ocorria.

Equipes de salvamento já resgataram 11 pessoas, enquanto 24 continuam desaparecidas.

Na manhã desta terça-feira, foram usados explosivos para abrir buracos no casco do navio para permitir a entrada de equipes de resgate.

O trabalho dos mergulhadores vem sendo prejudicado pelas más condições climáticas.

O Costa Concordia naufragou na costa italiana na noite de sexta-feira, com mais de 4,2 mil pessoas a bordo, incluindo cerca de mil tripulantes.

O Itamaraty confirmou que 57 brasileiros, entre passageiros e integrantes da tripulação, viajavam no cruzeiro. Todos foram resgatados com vida.

Capitão

Gravações da caixa preta do navio Costa Concordia e de ligações telefônicas, obtidas pela imprensa italiana, indicam que o capitão da embarcação, Schettino, teria ignorado uma ordem da guarda-costeira italiana para retornar ao navio e coordenar a retirada dos passageiros e tripulantes.

O presidente da empresa operadora do navio responsabilizou Schettino, de 52 anos, pelo acidente, afirmando que ele foi provocado por erro humano.

Schettino foi detido pela polícia italiana no sábado para interrogatório e pode ser indiciado por homicídios e por abandonar o navio.

De acordo com os relatos publicados pela imprensa italiana, em uma conversa com a guarda-costeira, várias horas após o navio se chocar com a rocha que provocou seu naufrágio, Schettino dá respostas evasivas, sugerindo que não estava no controle da retirada dos ocupantes do navio.

"O que você está fazendo? Está abandonando o resgate? Capitão, isto é uma ordem, estou no comando agora. Você declarou 'abandonar o navio'", afirma o oficial da guarda-costeira a Schettino em determinado momento da conversa.

Image caption Costa Concordia afundou após se chocar com um rochedo, que o capitão disse desconhecer

Ao ouvir do oficial que já havia corpos de mortos encontrados, Schettino pergunta quantos e ouve como resposta: "Isso é para você me dizer. O que você está fazendo? Quer ir para casa?", questiona o interlocutor.

Ainda segundo as gravações obtidas pela imprensa italiana, o choque do navio com a rocha teria ocorrido às 21h45 (18h45 de Brasília), mas o capitão somente teria declarado problemas com a embarcação 49 minutos depois.

O primeiro alarme recebido pela guarda costeira teria vindo com a chamada de um passageiro do navio, às 22h06. A guarda-costeira contactou então a tripulação do navio, mas foi informada que havia apenas um problema elétrico.

Em uma entrevista à TV italiana no domingo, Schettino havia afirmado ter sido o último a deixar o navio e disse que as cartas náuticas não indicavam a presença de rochas no local do acidente.

Advogado

O advogado do capitão, Bruno Leporatti, disse que o Schettino continua a sustentar sua inocência.

"O capital defendeu seu papel no comando do navio após a colisão. Segundo o capitão ele salvou centenas, senão milhares, de vidas", disse o advogado.

Segundo os promotores, o testemunho de Schettino não altera as acusações contra ele.

"Ele confirmou que estava no comando do navio no momento do impacto. Sua versão do episódio não mudou nossas acusações", disse o promotor Francesco Verusio.

Schettino, que trabalha para a Costa Crociere há 11 anos, se tornou capitão em 2006.

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