Violência sectária volta a fazer inúmeros mortos na Nigéria

Nuvem de fumaça se ergue em área atingida em Kano (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Sedes de polícia foram principais alvos de ataques

Uma série de ataques coordenados na cidade de Kano, na Nigéria, teriam matado inúmeras pessoas. Testemunhas contam ter visto os corpos de ao menos 20 vítimas fatais dos atentados sendo recolhidos dos escombros.

A polícia de Kano já confirmou a morte de sete pessoas, encontradas em diferentes locais, mas acredita-se que esse número irá aumentar. Um toque de recolher de 24 horas foi decretado na cidade.

Os principais alvos dos autores dos ataques foram sedes de polícia.

Os atentados foram reivindicados pelo grupo islâmico fundamentalista Boko Haram, cujo nome significa ''educação ocidental é probida''.

A organização esteve por trás de uma série de ações violentas na região Norte da Nigéria, de população predominantemente muçulmana.

Por conta dos ataques, ativistas que estavam organizando um protesto para este sábado decidiram cancelar o evento.

Protestos e violência

Além da violência sectária, a Nigéria tem sido marcada nos últimos dias por uma série de manifestações populares contra o projeto do governo de cortar subsídios à gasolina no país.

Sob pressão dos protestos populares, o governo chegou a rever, parcialmente, seus planos em relação aos subsídios.

Os atentados à bomba ocorreram em Kano, uma antiga cidade sagrada muçulmana, ao longo de mais de uma hora e meia.

Nuvens de fumaça se ergueram sobre a cidade enquanto moradores em pânico tentavam fugir das áreas em que as explosões foram registradas.

Uma pessoa que testemunhou o ataque feito contra uma delegacia no sul da cidade contou ter visto seis pistoleiros chegando de carro e de moto e disparando de modo a abrir caminho, antes de terem detonado uma boma.

Ruas desertas

Policiais teriam fugido do local e outros teriam se refugiado em valas. Os militares tardaram 30 minutos para chegar ao local em que os atos de violência foram registrados e até lá os autores dos ataques já haviam fugido.

As estradas locais estão completante desertas. E moradores estão levantando sérias dúvidas sobre a segurança no país, já que os perpetradores dos atentados conseguiram atacar quase que simultaneamente diversas estações de polícia.

Além de sedes de polícia, os alvos incluíram ainda centros de imigração e de expedição de passaportes.

O repórter da BBC Mark Doyle contou ter visto o telhado de uma estação de polícia completamente queimado. Doyle disse que este é o mais grave ataque já realizado pelo grupo Boko Haram contra a polícia e representa um constrangimento para as autoridades do país.

Um porta-voz do Boko Haram, Abul Qaqa, disse a jornalistas na cidade de Maiduguri, no Nordeste da Nigéria e que abriga o QG do grupo militante, que os ataques foram uma resposta à recusa das autoridades em libertar militantes da organização que estão presos.