A 3 meses de eleição, Sarkozy tenta reverter baixa recorde de popularidade

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Image caption Além da esquerda liderada pelos socialistas, Sarkozy enfrenta conservadores da Frente Nacional

A três meses do primeiro turno das eleições presidenciais na França, em 22 de abril, o presidente Nicolas Sarkozy enfrenta grandes dificuldades para tentar reverter a tendência de ampla derrota apontada nas pesquisas de opinião.

Sarkozy – que deverá declarar oficialmente sua candidatura apenas no final de fevereiro ou início de março – não conseguiu liderar até o momento nenhuma das inúmeras pesquisas divulgadas nos últimos meses.

Embora as previsões indiquem que Sarkozy passaria para o segundo turno, ele perderia na votação final, de acordo com pesquisas divulgadas neste mês, para o socialista François Hollande por uma diferença de 14 a 19 pontos percentuais.

Hollande lidera todas as pesquisas. Na última, do instituto BVA para a imprensa regional e a rádio RTL, divulgada no dia 21, o socialista totaliza 30% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% para Sarkozy.

Mas no segundo turno a diferença é ampliada: Hollande venceria com 57% dos votos, enquanto Sarkozy obteria 43%.

Tradicionalmente na França, o presidente em exercício sempre obteve no primeiro turno o maior número de votos. Sarkozy, se as pesquisas se confirmarem, passaria a ser uma exceção.

A batalha contra o socialista não é o único problema do presidente. Segundo outra pesquisa, do instituto Ifop, divulgada no dia 20, a diferença entre Sarkozy e a terceira colocada, Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita Frente Nacional, se reduziu no primeiro turno a apenas 2 pontos percentuais.

Segundo o Ifop, Sarkozy teria 23% das intenções de voto no primeiro turno e Le Pen, que ocupa o terceiro lugar em todas as pesquisas, totalizaria 21%, o que não exclui a possibilidade de Sarkozy ser eliminado já no primeiro turno.

Sarkozy havia conseguido, em 2007, atrair um número importante de eleitores tradicionais do Front National, que podem nesta votação retornar ao partido de extrema direita, como sugerem as pesquisas.

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Vários fatores explicam as dificuldades atuais do líder francês para buscar um segundo mandato.

Sarkozy é o presidente com o mais baixo índice de popularidade da chamada Quinta República, iniciada em 1958 com o general Charles de Gaulle. Apenas 32% dos franceses aprovam sua gestão, segundo pesquisa divulgada no domingo pelo Journal du Dimanche.

Uma das razões dessa baixa aprovação - e que compromete suas chances de reeleição - é a imagem extravagante que passou no início de seu governo.

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Image caption François Hollande aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto à Presidência

Suas férias em iates, seu gosto notório pelo luxo e a exposição de sua vida sentimental em revistas de celebridades desagradaram setores do eleitorado, em particular o da direita, para quem esse tipo de comportamento não corresponde ao cargo de um chefe de Estado.

Sarkozy adotou nos últimos anos um tom mais sóbrio, mas analistas estimam que ele não conseguiu mudar sua imagem junto a boa parte da opinião pública.

O estilo do presidente tem oferecido munição a seus adversários políticos nesta campanha. Em seu primeiro grande comício, no domingo, o socialista Hollande afirmou "gostar das pessoas, enquanto outros são fascinados pelo dinheiro".

Mas o principal problema de Sarkozy é o balanço de seu mandato. Uma de suas principais promessas de campanha em 2007 foi a de aumentar o poder aquisitivo da população, além de diminuir o desemprego para 5%.

Mas o desemprego explodiu na França e já atinge 9,8% da população ativa. Na gestão de Sarkozy, o número de desempregados aumentou em 1 milhão, atingindo quase 3 milhões atualmente.

"Trabalhar mais para ganhar mais", um de seus slogans mais famosos em 2007, prometia a melhora do poder aquisitivo. Sarkozy mudou as regras em relação às horas extras, flexibilizando a jornada semanal de 35 horas de trabalho, criada pelos socialistas.

Seus opositores afirmarem que a medida não teve o impacto prometido - e as promessas do presidente foram atropeladas pela crise financeira mundial iniciada em 2008 e, mais recentemente, pela crise das dívidas soberanas na zona do euro.

Rebaixamento

Sob a ameaça de uma recessão econômica, o Estado francês perdeu há pouco a nota máxima de risco de sua dívida (AAA), rebaixada pela agência Standard & Poor's no último dia 13.

O rebaixamento do risco da dívida foi apontado por seus rivais como um sinal de fracasso da política de Sarkozy, que se posicionava como o "salvador" da zona do euro, e aumentou o sentimento de insegurança dos franceses em relação ao futuro.

"A conjuntura econômica tem grande influência no voto. O cenário atual e as promessas de campanha não cumpridas contribuem para o sentimento de rejeição em relação a Sarkozy", disse à BBC Brasil Gaspard Estrada, analista do Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Segundo a imprensa francesa, o governo espera que o anúncio de novas medidas econômicas no final de janeiro e a oficialização da candidatura de Sarkozy possam reverter as tendências negativas nas pesquisas eleitorais.

Analistas dizem não ser impossível que, apesar das dificuldades atuais, Sarkozy, acostumado ao debate político, consiga reverter a situação.

Uma das críticas contra o rival socialista é que Hollande, deputado, nunca exerceu um cargo de governo e que não teria o comportamento e a autoridade de um chefe de Estado.

Além disso, as pesquisas revelam que mais de 20% dos franceses ainda poderiam mudar de voto no segundo turno.

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