Violência faz Liga Árabe suspender missão na Síria

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Image caption Segunto ativistas, cerca de 300 militares deixaram Exército para engrossar forças opositoras a Assad

A Liga Árabe anunciou neste sábado a suspensão de sua polêmica missão de observação na Síria, por causa da escalada na repressão do regime de Bashar al Assad contra os manifestantes.

Os observadores permanecerão no país, mas paralisarão o trabalho. A missão foi enviada em dezembro, após ampla negociação com o regime de Assad.

A incapacidade dos observadores de interromper a violência rachou a organização. A Arábia Saudita e as monarquias sunitas do Golfo Pérsico retiraram seus observadores de Damasco na última terça-feira, em sinal de protesto, quando a missão foi prorrogada.

A oposição síria também tem classificado a missão como inoperante.

Em nota, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil el-Arabi, disse que "dada a crítica deterioração da situação na Síria e o contínuo uso da violência, decidiu-se por interromper temporariamente o trabalho da missão na Síria".

O assunto será agora discutido pelos países membros da Liga Árabe.

O analista de Oriente Médio da BBC, Sebastian Usher, diz que a suspensão não surpreende. Ativistas de direitos humanos acusam Assad de usar a missão para ganhar tempo.

Desde a última terça-feira, quando a missão foi prorrogada, pelo menos 200 pessoas morreram na repressão, segundo estimativas conservadoras de ativistas. Só neste sábado seriam 30 mortos.

Rússia

As atenções diplomáticas agora se voltam ao Conselho de Segurança da ONU, cujos membros se articulam para impor uma resolução contra o regime de Assad nos próximos dias. A Rússia, membro-permanente (com poder de veto), já manifestou oposição à proposta.

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Image caption Soldado sírio em barricada em Homs; violência aumenta com confronto entre os dois lados

O texto da resolução vem sendo rascunhando pelos países árabes, o Reino Unido, a França e a Alemanha, que defendem a renúncia de Assad e a transferência de poder para um vice-presidente, que se manteria no cargo até a formação de um governo de unidade nacional.

O secretário da Liga Árabe deve discursar no Conselho de Segurança na próxima terça-feira. Até lá, Arabi tenta persuadir a diplomacia russa a retirar a oposição à ação contra Assad.

O Conselho Nacional Sírio, que reúne grupos opositores a Assad, pede aos sírios e descendentes ao redor do mundo que apóiem a resolução.

Irã

O conselho também acusa o Irã de apoiar e "participar" da repressão de Assad contra os manifestantes. A família Assad é muçulmana alauita, uma ramo do islamismo xiita, cujo centro de poder é o Irã.

Os opositores relataram vários ataques e confrontos em várias cidades no interior e também em Damasco.

A oposição disse ainda que mais 300 dissidentes do Exército de Assad se juntaram ao Exército Sírio Livre.

Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram na repressão aos protestos desde o início da revolta popular, em março do ano passado.

O regime sírio diz que cerca de 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos nos confrontos com os opositores.

Os números, tanto os fornecidos pelo regime quanto pelos opositores, não puderam ser verificados de forma independente.

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