Proliferação de pítons leva a declínio de mamíferos em Parque Natural na Flórida, diz estudo

Píton devora crocodilo (Foto: AP) Direito de imagem AP
Image caption Uma grande píton pode devorar um crocodilo - às vezes, com prejuízo para ambos

Um estudo feito por pesquisadores americanos relacionou o declínio agudo da população de mamíferos no Parque Nacional de Everglades, na Flórida, ao aumento da população de pítons (<i>Python molurus bivittatus</i>) no sul do estado.

Pítons, ou grandes serpentes constritoras que podem chegar a quase 6 metros de comprimento, originalmente mantidas como bichos de estimação, são considerados uma espécie invasora, ou seja, não nativa da região.

Segundo a equipe coordenada pelo biólogo Michael Dorcas, do Davidson College na Carolina do Norte, a observação de mamíferos declinou até 99% entre antes e depois da proliferação dessas serpentes.

"Pítons aumentaram dramaticamente tanto em abundância quanto em ocorrência geográfica desde 2000 e consomem uma grande variedade de mamíferos e pássaros", explicam os autores, no estudo publicado na revista científica <i>Proceedings of the Nacional Academy of Sciences</i>.

"Registramos um aparente declínio agudo em populações mamíferas que coincide temporal e geograficamente com a proliferação de pítons."

Antes de 2000, pequenos mamíferos eram encontrados com frequência nas observações tanto diurnas quanto noturnas. A equipe comparou observações de animais vivos ou mortos na estrada em pesquisas feitas entre 1993-1999 e 1996-1997.

Comparadas àquelas, em um percurso totalizando quase 57 mil quilômetros entre 2003 e 2011, as observações de racuns (semelhantes aos guaxinins) caíram 99,3%, as de um tipo de marsupial local parecido com um gambá (possum), 98,9%, e as de linces, 87,5%.

Mesmo as observações de mamíferos maiores, como o veado-de-cauda-branca, também caíram: 94,1%.

Além disso, os pesquisadores não encontraram nem raposas nem coelhos, estes últimos os mamíferos mais comuns entre 1993 e 1999.

Proliferação

O declínio de mamíferos é menor nas áreas onde os pítons só foram introduzidos recentemente, notaram os cientistas.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Os pântanos do parque Nacional de Everglades, na Flórida

Não há estatísticas precisas de quantos pítons existem nos pântanos de Everglades, um parque nacional que já é um quarto do seu tamanho original, tanto foi a área secada ao longo dos anos para uso humano.

Em 2009, o número de pítons chegou a quase 400, e a falta de predadores naturais destas serpentes tem feito o número se multiplicar.

"Em qualquer população de serpentes, o que se vê é apenas uma fração de quantas elas são", disse à BBC Michael Dorcas.

"Em Everglades, os pítons são um predador novo – que não devia existir aí. Já documentamos pítons comendo crocodilos, e crocodilos comendo pítons. Depende de quem for maior no encontro."

Para Dorcas, "não é descabido assumir que um grande declínio em mamíferos, como esse, seja sempre acompanhado de impactos ambientais".

"Exatamente quais serão estes impactos, não sabemos. Mas é possível que sejam profundos."

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