Rússia e China vetam resolução sobre a Síria na ONU

Funeral em Homs Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Funerais coletivos estão sendo realizados em Homs

Uma resolução da ONU que tentaria encerrar a crise na Síria foi vetada neste sábado em Nova York.

Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, rejeitaram a proposta de resolução que apoiava o plano de paz da Liga Árabe e pedia que o presidente sírio, Bashar al-Assad, renunciasse ao cargo.

A proposta contava também com o apoio dos países ocidentais e, neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já tinha descrito a violência na cidade síria de Homs como um "ataque horrível".

A rejeição da resolução no Conselho de Segurança da ONU ocorre no mesmo dia em que forças de segurança sírias lançaram uma ofensiva contra a cidade de Homs, com tanques, morteiros e artilharia, durante a madrugada.

Números iniciais falavam em 200 mortos, mas grupos ativistas revisaram os números e informaram que o ataque deixou um total de 55 mortos.

Mudanças 'inaceitáveis'

A Rússia é o principal aliado da Síria no Conselho de Segurança da ONU e já tinha afirmado que iria vetar qualquer resolução que pedisse a renúncia do presidente sírio, Bashar al-Assad.

No entanto, a proposta de resolução contou com o apoio de todos os outros 13 integrantes do Conselho de Segurança.

Mohammed Loulichki, embaixador do Marrocos na ONU e único membro árabe do atual conselho da ONU, afirmou que estava profundamente "decepcionado" com o veto da Rússia e China à resolução.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que o veto da Rússia e da China foi "vergonhoso" e mostrou que os russos e chineses "protegem um tirano".

"Qualquer derramamento de sangue estará nas mãos deles", acrescentou Rice.

O enviado da Grã-Bretanha à ONU, Mark Lyall Grant, afirmou que os britânicos estão "chocados" com a rejeição da resolução.

"É um dia triste para o conselho, um dia triste para todos os sírios e um dia triste para a democracia", disse o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.

O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, já tinha criticado a proposta de resolução da ONU que, segundo o ministro, tinha medidas apenas contra o presidente Bashar al-Assad e não continha medidas contra os grupos de oposição armados.

As propostas feitas pelos russos, de mudanças na resolução, foram descritas como "inaceitáveis" pela embaixadora americana, Susan Rice.

Lavrov deve se reunir com Bashar al-Assad em Damasco na terça-feira, junto com o chefe do Serviço de Inteligência Internacional da Rússia, Mikhail Fradkov.

Violência em Homs

O principal grupo ativista revisou neste sábado o número de mortos na ofensiva contra a cidade de Homs, que caiu de 200 para 55.

O Comitê de Coordenação Local informou que registrou 39 mortos no distrito residencial de Khalidiya, oito em outros bairros da cidade e oito nas proximidades de Homs.

As fotos tiradas na cidade no sábado mostrava um funeral em grupo realizado no bairro de Khalidiya.

Segundo o correspondente da BBC que está nos arredores de Homs Paul Woods, a cidade parece ter passado por um bombardeio "contínuo" que tinha como alvo áreas que não eram controladas pelo governo.

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Image caption Manifestantes protestaram em frente a embaixadas da Síria em várias cidades do mundo, como Londres

Woods está viajando com combatentes do grupo Exército Síria Livre e, de acordo com o correspondente, os combatentes estão tentando voltar para a cidade por estradas secundárias, levando suprimentos médicos, como bolsas de sangue, para os feridos.

Homs foi uma das primeiras cidades a se juntar aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad e se transformou em um dos pontos principais de oposição, com muitos desertores do Exército se refugiando na cidade.

Segundo informações, um hospital e mais de 30 casas foram destruídos em Khalidiya durante o ataque deste sábado.

Imagens de vídeo divulgadas na internet mostravam vários corpos cobertos de sangue e uma voz ao fundo afirmava que o bombardeio a Homs ainda continuava.

No entanto, a imprensa estatal síria afirmou que o número de mortos e feridos em Homs é uma "campanha histérica" de grupos armados que estariam tentando influenciar a ONU.

"Os civis mostrados pelos canais de televisão via satélite são cidadãos que foram sequestrados e mortos por atiradores", afirmou a agência de notícias Sana.

A imprensa internacional tem pouco acesso à Síria o que torna dífícil verificar a veracidade dos fatos e números de mortos e feridos.

Embaixadas sírias foram atacadas por grupos de ativistas em várias cidades do mundo neste sábado, como Londres, Atenas, Berlim e no Cairo.

A ONU parou de estimar o total de mortos durante os confrontos na Síria quando o número chegou a 5,4 mil, em janeiro, alegando que era muito difícil confirmar os dados.

O governo sírio diz que pelo menos 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos "lutando contra gangues armadas e terroristas".

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