Egito leva a julgamento 40 funcionários de ONGs

Polícia fez buscas em sedes de ONGs em dezembro (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption A polícia egípcia apreendeu computadores e documentos em buscas em escritórios de ONGs

As autoridades do Egito afirmaram que vão julgar pelo menos 40 pessoas, incluindo cidadãos americanos e outros estrangeiros, que trabalham em ONGs que promovem democracia, direitos humanos e paz.

O Conselho Militar que governa o Egito acusa o grupo de financiamento ilegal de organizações não governamentais no país. Em dezembro, autoridades egípcias fizeram buscas nos escritórios de várias ONGs e proibiram vários funcionários estrangeiros destas ONGs de deixar o país.

A maioria dos processados é de estrangeiros, incluindo 19 americanos, além de alemães, sérvios e também egípcios.

A questão gerou tensão entre os governos egípcio e americano. Washington alertou o Conselho Militar que governa o Egito que poderá rever a ajuda americana ao país se os egípcios não respeitarem os direitos das ONGs.

O anúncio do julgamento dos funcionários das ONGs ocorreu no quarto dia de protestos violentos nas ruas do Egito, em meio à revolta da população com as autoridades, apontadas como incapazes de evitar o confronto em um jogo de futebol na semana passada que deixou 74 mortos.

As forças de segurança tiveram que usar gás lacrimogêneo neste domingo contra manifestantes que atiravam pedras e se dirigiam para o Ministério do Interior, no centro do Cairo.

Números confusos

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Image caption Os protestos continuam na praça Tahrir, centro do Cairo

O número exato de pessoas que serão levadas a julgamento ainda não está totalmente esclarecido. A agência de notícias AFP, por exemplo, informou que 44 pessoas serão julgadas.

Estas pessoas são acusadas de "estabelecer escritórios de organizações internacionais no Egito sem uma autorização do governo egípcio" e de "receber financiamento estrangeiro ilegal", segundo a AFP.

De acordo com a agência de notícias AP, um dos 19 americanos que serão julgados é Sam LaHood, filho do secretário americano dos Transportes, Ray LaHood.

Sam LaHood chefia o escritório egípcio do Instituto Internacional Republicano (IRI, na sigla em inglês) e está entre os vários estrangeiros proibidos de deixar o Egito na semana passada.

Os escritórios do IRI estavam entre os 17 escritórios de instituições com base nos Estados Unidos e de grupos locais financiados por estrangeiros que foram invadidos pelas autoridades egípcias em dezembro.

Na ocasião os promotores egípcios afirmaram que estavam agindo de acordo com provas que sugeriam que alguns destes grupos violavam as leis do país e não tinham permissão para trabalhar no Egito.

No entato, a ação das autoridades foi vista por muitos como um ataque à liberdade de expressão e uma tentativa das autoridades para acabar com as críticas ao governo.

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