Sob Graça Foster, Petrobras terá viés mais técnico que político', dizem analistas

Graça Foster com Dilma Rousseff em 2007 (Foto: Agência Brasil) Direito de imagem ABr
Image caption Analistas creem em gestão mais técnica e menos política de Graça Foster

A nova presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, deve imprimir uma gestão mais técnica e menos política à empresa e favorecer o cumprimento das metas de crescimento do governo, avaliam analistas.

Graça Foster, como é conhecida, será oficializada nesta quinta-feira (dia 9) como nova presidente da Petrobras, sucedendo José Sérgio Gabrielli, após reunião do conselho de administração da empresa.

Funcionária de carreira da estatal, Foster tem 58 anos e está na Petrobras há 32, tendo começado a trabalhar lá como estagiária, em 1978. Ela será a primeira mulher a presidir a estatal.

A executiva vinha exercendo o papel de diretora de Gás e Energia da Petrobras desde 2007 e chega ao posto máximo da empresa indicada pela presidente Dilma Rousseff, com quem trabalhou entre 2003 e 2005 no Ministério das Minas e Energia.

Diálogo com Dilma

Assim como Dilma, Foster é conhecida pela eficiência técnica e pela dureza no trato profissional.

"Elas se conheceram, se identificaram e se deram bem. São ambas trabalhadoras, ambas mineiras, com essa dedicação à coisa publica", diz o geólogo John Forman, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Ele descreve Foster como uma pessoa que sabe reconhecer o valor das pessoas, mas não gosta de coisas mal-feitas. "Ela não é do tipo que passa a mão na cabeça. Ela cobra, e cobra duro. Nisso também é parecida com a Dilma", compara.

Para o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a gestão de Foster deve trazer bons resultados para acionistas por dois motivos: o fato de ser uma pessoa mais técnica e uma funcionária de carreira da Petrobras; e o fato de ter confiança e proximidade com a presidente.

"Acho que facilita o diálogo. A confiança que a Dilma tem nela facilita que leve pleitos à presidente e que ela tenha mais boa vontade de entender."

Desafios

À frente da Petrobras, Foster terá o desafio de cumprir o ambicioso plano de negócios da empresa, que até 2015 prevê o investimento de US$ 225 bilhões, e levar adiante a exploração do pré-sal.

"O programa do pré-sal é um programa pesadíssimo. É um desafio que envolve a necessidade de recursos humanos, financeiros e tecnológicos", aponta Forman.

Segundo o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), outros desafios enfrentados pela nova presidente serão a escassez de mão de obra e de bens e serviços oferecidos no Brasil, diante da política que exige o uso de conteúdo local para impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional.

A política de conter o aumento de preços da gasolina e do diesel, adotada pelo governo para evitar impacto inflacionário, também afeta a empresa, diz Pires. Com menos dinheiro em caixa, a empresa tem menor capacidade de investimento.

"O desafio (de Foster) é o de entregar o prometido, coisa que não tem sido feita", diz Pires. "Como a produção de petróleo está atrelada à disponibilidade de bens e serviços na indústria nacional, a produção efetiva da empresa está sendo menor do que a meta projetada há três anos."

Menos política

O anúncio do nome de Foster para a presidência, no último dia 23, foi acompanhado de alta das ações da Petrobras, indicando aprovação do mercado.

O destaque dado ao perfil "técnico" da engenheira química tem como contraponto o envolvimento político de Gabrielli, que deixa do cargo para assumir uma secretaria no governo do padrinho político Jaques Wagner (PT-BA), da Bahia.

"O grande desafio (de Foster) será equilibrar decisões técnicas com decisões políticas", considera Pires. "Uma marca da gestão do Gabrielli é que as decisões tomadas sempre foram mais políticas do que técnicas. Isso causou uma queda no valor das ações de 2010 para cá", avalia.

John Forman destaca o fato de Foster ser uma funcionária de carreira da casa, um caso raro na empresa.

"A grande maioria dos presidentes da Petrobras vêm de fora", aponta, citando como exemplo o Gabrielli, que entrou na Petrobras como diretor financeiro, em 2003, e foi nomeado presidente em 2005.

"Ele tem uma visão mais econômica das coisas. Já a Graça tem uma visão mais técnica e certamente conhece a empresa muito bem por dentro. Acho que ela vai buscar valorizar a empresa e trabalhar duro para que as metas do governo sejam alcançadas", diz Forman.

Pires lembra que a indicação do presidente da Petrobras pelo presidente da República é uma tradição no Brasil. Assim, a troca de Gabrielli, indicado por Lula, por Foster, escolhida por Dilma, seria mais um passo no processo de a atual presidente imprimir sua marca a seu governo.

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