Plano de austeridade grego ainda não convence ministros da zona do euro

Juncker, que chefia ministros de Finanças europeus, e o ministro grego Evangelos Venizelos, em Bruxelas nesta quinta (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Juncker (à esq.) afirmou que há 'incertezas' a respeito do plano grego

Ministros da zona do euro lançaram dúvidas sobre o recém-anunciado plano de austeridade da Grécia, durante reunião realizada em Bruxelas nesta quinta-feira com o objetivo de discutir mais um pacote de resgate financeiro a Atenas.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, disse que o plano de austeridade "não chegou a um estágio em que possa ser aprovado".

O acordo para novos cortes de gastos na Grécia - exigido pelos credores do país como contrapartida ao pacote de resgate - foi anunciado pelos principais partidos políticos gregos nesta quinta-feira, após dias de debate entre os integrantes da frágil coalizão de governo do país. Poucos detalhes do plano foram divulgados à imprensa.

O premiê de Luxemburgo e líder do grupo de ministros das Finanças europeus, Jean-Claude Juncker, também disse duvidar que o plano esteja pronto para aprovação.

"Não tenho motivos para acreditar que haverá um acordo definitivo na noite (desta quinta)", disse Juncker aos jornalistas ao chegar à reunião em Bruxelas. "Ainda há muitas incertezas (quanto ao plano de austeridade)."

Ao mesmo tempo, Juncker elogiou o progresso grego na obtenção de um acordo e disse que os países da zona do euro provavelmente tomarão uma decisão a respeito do tema até a semana que vem.

Contenção de gastos

A Grécia tenta negociar os termos de um pacote de resgate de 130 bilhões de euros (R$ 296 bilhões), a ser bancado por União Europeia, Banco Central Europeu e FMI. É o segundo pacote de ajuda à Grécia e os credores agora exigem, em contrapartida, que os gregos adotem medidas de contenção de gastos.

As medidas, altamente impopulares entre os gregos, devem incluir cortes de 15 mil empregos no setor público, flexibilização de leis trabalhistas, redução de até 22% no salário mínimo e a negociação de uma moratória parcial no dinheiro devido a bancos.

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Image caption Medidas de austeridade são altamente impopulares entre os gregos

Mas uma demanda-chave do trio de credores é uma reforma no sistema previdenciário grego - tema que provocou dissenso entre os partidos que integram a coalizão governista do país.

O premiê grego, Lucas Papademos, tentou convencer seus companheiros a reformar o atual modelo, com o objetivo de economizar 300 milhões de euros por mês.

As conversas da coalizão terminaram sem um acordo sobre o tema, mas, horas depois, autoridades anunciaram um consenso. Ainda não está claro como será feita a economia dos 300 milhões de euros.

Propostas concretas

Nem Juncker nem Schaeuble detalharam quais são suas dúvidas sobre a viabilidade do plano grego, mas funcionários do FMI haviam dito anteriormente que o projeto não continha propostas concretas para uma reforma previdenciária de impacto.

Os credores também pedem garantias de que as medidas de austeridade não sejam afetadas pelas eleições gregas, previstas para abril.

A Grécia, ao mesmo tempo, já está sentindo os efeitos de uma rodada anterior de medidas, contrapartida de um pacote de resgate financeiro prévio.

Os cortes provocam amplos protestos populares, num momento em que o país se afunda em recessão e enfrenta taxas de desemprego acima dos 20%.

Uma nova greve de 48 horas foi convocada pelos sindicatos nesta quinta-feira, após o anúncio das novas medidas de austeridade.