Família com nacionalidade brasileira pede ajuda à embaixada do Brasil em Damasco

Rebelde sírio durante tiroteio na cidade de Idlib (AP) Direito de imagem AP
Image caption Ataques do Exército sírio contra combatentes rebeldes continuam

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, disse nesta quinta-feira que um casal sírio cujos filhos nasceram no Brasil pediu ajuda à embaixada brasileira em Damasco.

“Estive em contato telefônico com o embaixador (brasileiro na Síria, Edgard Casciano) ontem. Esperamos que eles possam ser repatriados ao Brasil”, disse o chanceler, acrescentando que há 3 mil brasileiros vivendo no país.

Segundo o Itamaraty informou à BBC Brasil, a família está atualmente em Homs, cidade que vem sendo alvo de fortes ataque por parte das tropas do governo. Por isso, a retirada deles de lá é uma operação bastante complicada.

A embaixada brasileira está em contato com autoridades sírias para garantir a segurança da família e, eventualmente, retirá-los de Homs, ainda de acordo com o Itamaraty.

A embaixada vai analisar qual a melhor maneira de ajudar os sírio-brasileiros – uma delas é repatriá-los.

Damasco

Patriota afirmou que até agora apenas essa família pediu um apoio específico da embaixada. “O restante da população, que está majoritariamente em Damasco, acho que está se sentindo em segurança.”

O chanceler disse ainda estar acompanhando a situação na Síria de perto e citou contatos que teve com o secretário-geral da Liga Árabe (Amr Moussa), que teria confirmado o retorno dos observadores do órgão à Síria, desta vez com o apoio da ONU. Ele também citou as últimas negociações feitas pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, além do encontro do chanceler russo, Sergei Lavrov, com presidente sírio Bashar al-Assad.

“Esperamos que essa movimentação diplomática da Liga Árabe e desses outros atores contribua para um fim da violência, que está assumindo proporções gravíssimas e muito preocupantes.”

Ele voltou a pedir uma intensificação de esforços diplomáticos “para por fim à escalada da violência, que já fez um número absolutamente inaceitável de vítimas e continua ser uma fonte de grande preocupação da comunidade internacional”.

Liga Árabe

Exército sírio retomou nesta quinta-feira os bombardeios contra a cidade de Homs, deixando ao menos 40 mortos, segundo afirmam ativistas opositores.

Os ativistas afirmam que entre os mortos nesta quinta-feira estão três famílias inteiras. Ativistas estimam que cerca de 400 pessoas foram mortas em Homs desde que a ofensiva começou, no fim de semana. As informações sobre as mortes não puderam ser confirmadas independentemente.

Um médico que trabalha em um hospital improvisado disse que os feridos estão morrendo por falta de tratamento adequado.

Com vários distritos controlados por forças rebeldes, Homs, a terceira maior cidade do país, tem sido o principal foco das manifestações contra o regime de Assad.

Na noite desta quarta-feira, Ban afirmou que a Liga Árabe quer retomar sua missão de observação interrrompida recentemente na Síria e sugeriu que a ONU poderá se juntar a esta missão.

"Estamos prontos para prestar qualquer assistência que possa contribuir com a melhora (da situação)", disse Ban.

No final de janeiro a missão de observação da Liga Árabe na Síria foi suspensa devido à escalada da violência no país. Na quarta-feira, testemunhas no bairro de Baba Amr relataram bombardeio intenso de tanques, morteiros, artilharia e metralhadoras pesadas. Mais de 50 pessoas morreram segundo a organização Observatório Sírio para os Direitos Humanos, baseada na Grã-Bretanha.

Ban Ki-moon afirmou que o veto da Rússia e da China a uma resolução da ONU contra a Síria, durante o final de semana, foi um desastre para o povo sírio.

A ONU interrompeu a contagem de mortos que fazia, afirmando que é impossível averiguar dados com independência. O último dado divulgado pelas Nações Unidas, no mês passado, é de que 5,4 mil pessoas haviam morrido.

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