Síria diz que pedido da Liga Árabe por missão de paz é 'histeria'

Protestos na Síria, em 12 de fevereiro. | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Liga Árabe anunciou que dará apoio político e material a oposição

A Síria rejeitou neste domingo a decisão da Liga Árabe de pedir ao Conselho de Segurança da ONU por uma missão de paz conjunta entre as duas organizações para pôr fim à violência no país.

A decisão foi tomada em uma reunião dos ministros de Relações Exteriores da Liga no Cairo.

Os ministros de Relações Exteriores também concordaram em cortar toda a cooperação com o governo sírio e abrir um canal de comunicação com a oposição no país.

No entanto, enviado de Damasco disse que o governo sírio "rejeita categoricamente" a decisão, que aconteceu uma semana depois que uma resolução do Conselho de Segurança foi vetada pela Rússia e pela China.

O secretário-geral da Liga Árabe, o general Nabil el-Arabi, disse na reunião que é chegado o momento de uma ação decisiva para acabar com o sofrimento do povo sírio.

A Liga retirou sua missão observadora da Síria no mês passado, já que o governo do presidente Bashar Al-Assad continuou com a violenta repressão aos protestos mesmo na presença dos monitores.

'Histeria'

Em um comunicado divulgado após a reunião no Cairo, representantes dos países da Liga Árabe disseram que iriam "pedir ao Conselho de Segurança da ONU para emitir uma decisão sobre a formação de uma missão de paz conjunta entre a ONU e a Liga Árabe para supervisionar a implementação de um cessar-fogo".

No entanto, o embaixador sírio na Liga Árabe, Youssef Ahmad, rejeitou a resolução, dizendo que ela "reflete a histeria destes governos" após uma tentativa fracassada de conseguir o apoio do Conselho de Segurança.

O comunicado pedia ainda pela "abertura de canais de comunicação com a oposição síria e o fornecimento de todas as formas de apoio político e material a ela".

Um representante da Liga disse à BBC que a resolução foi aprovada pela maioria dos ministros de Relações Exteriores da organização.

A Assembleia Geral da ONU discutirá a situação da Síria na próxima segunda-feira. Não há poder de veto da Assembleia Geral, mas suas resoluções não tem força legal como as do Conselho de Segurança.

Isolamento

Direito de imagem NA
Image caption Ativistas afirmam que 400 pessoas morreram em ataques a Homs desde sábado

O correspondente da BBC no Cairo, Jeremy Bowen, diz que a resolução contém a linguagem mais dura direcionada à Síria pela Liga Árabe até o momento, o que torna mais provável a volta do assunto ao Conselho de Segurança.

O fato de que oa países árabes estejam considerando estes movimentos mostra a extensão do isolamento do regime sírio, segundo Bowen.

Na tarde deste domingo, um ministro do governo iraquiano disse à BBC que a Al-Qaeda e outros grupos militantes instruiram seus homens a deixarem o Iraque para realizar algumas atividades na Síria.

Horas antes, o líder da Al-Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, manifestou apoio ao levante contra o governo de Bashar Al-Assad, mas instou a oposição síria a não confiar na ajuda da Liga Árabe ou do Ocidente.

Enquanto isso, relatos dizem que o bombardeio da cidade de Homs, à oeste do país, continua após um breve intervalo durante a noite de sábado e a manhã deste domingo. Ativistas dizem que quatro pessoas foram mortas.

De acordo com os grupos, mais de 400 pessoas foram mortas desde que as forças de segurança deram início a um ataque em áreas dominadas pela oposição no último sábado.

Grupos de direitos humanos dizem que mais de 7 mil pessoas morreram no país desde março de 2011. O governo afirma que pelo menos 2 mil membros das forças de segurança foram mortas combatendo "gangues armadas e terroristas".

Uma explosão de carros bomba que matou 28 pessoas na cidade de Aleppo, na última sexta-feira, foi condenada pela oposição. No entanto, oficiais americanos acreditam que a Al-Qaeda pode estar por trás do ataque, segundo relatos.