Incêndios e rebeliões já deixaram milhares de mortos em prisões latino-americanas

Parente de detendo em Comayagua, Honduras (Foto: AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Incidentes dentro das penitenciárias são motivo de angústia para parentes de presos

Entre incêndios, acidentes e rebeliões, milhares de detentos perderam a vida em prisões latino-americanas nos últimos 15 anos.

De todas, a ocasião mais mortal é a da prisão de Comayagua, ao norte da capital hondurenha, Tegucigalpa, onde a contagem dos mortos em um incêndio nesta quarta-feira já supera os 270. Algumas fontes falam em mais de 350 mortos.

O incidente de proporções mais próximas foi uma série de rebeliões em três presídios de Lima, no Peru, em junho de 1986.

Cerca de 250 pessoas morreram – de acordo com as cifras oficiais – no motim, que supostamente mobilizou detentos que integravam as facções extremistas Sendero Luminoso e Tupac Amaru.

Em março de 2005, 135 pessoas morreram em um incêndio na prisão de Higuey, na República Dominicana, supostamente iniciado após um enfrentamento entre gangues rivais de presidiários.

Em Maracaibo, na Venezuela, 120 presos morreram em janeiro de 1994 também em uma rebelião seguida de incêndio na prisão de Sabaneta.

Antes do incidente de Comayagua os hondurenhos já haviam acompanhado outro incêndio: em maio de 2004, na prisão de San Pedro Sula, no norte de Honduras. Na ocasião, 107 detentos morreram.

No pior incidente no Chile, em dezembro de 2010, um incêndio na prisão de San Miguel, na capital, Santiago, terminou com a morte de 83 detentos. Outros 14 ficaram gravemente feridos. Foi o incêndio mais destruidor em uma prisão no país.

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Image caption Pior incidente deste tipo no Chile, incêndio matou 83 detentos em dezembro de 2010

Além desses incidentes, rebeliões são um fato comum nos presídios da região, assim como as mortes nestes incidentes.

Carandiru

No Brasil, o evento deste tipo que mais marcou a história recente ocorreu na penitenciária do Carandiru, na zona norte de São Paulo, onde 111 presos foram mortos em uma ação policial em outubro 1992. A ação foi iniciada para conter uma rebelião.

O presídio acabou sendo demolido dez anos depois, na esperança de que o desaparecimento do prédio levasse consigo as memórias do complexo.

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