AIEA se diz 'preocupada' com expansão do enriquecimento de urânio no Irã

Vista aérea da planta de Parchin. | Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Irã diz que tem modo "diferente" de abordar a questão do enriquecimento de urânio

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) diz que continua a ter sérias preocupações com possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irã.

Em seu relatório mais recente, a agência diz que conversas em Teerã nesta semana não conseguiram esclarecer as questões sobre o programa.

O documento diz ainda que o Irã instalou 2 mil centrífugas para enriquecimento de urânio na usina de Fordo, perto da cidade de Qom, no nordeste do país.

A correspondente da BBC em Viena, Bethany Bell, diz que, segundo o relatório, o impasse sobre o controverso programa nuclear do Irã não dá sinais de resolução.

Países ocidentais suspeitam de que o Irã esteja tentando construir uma bomba nuclear, o que o governo iraniano nega.

Bell afirma que as potências ocidentais ficarão ainda mais alarmadas com a notícia de que o Irã acelerou seu enriquecimento de urânio, tanto na planta principal de Natanz quanto na instalação subterrânea de Fordo.

Fordo, que fica embaixo de uma montanha, está bem protegida de potenciais ataques de Israel ou dos Estados Unidos.

Suspeitas

O relatório da AIEA foi divulgado dois dias depois que autoridades iranianas recusaram um pedido de inspetores para visitarem a instalação militar de Parchin, ao sul da capital, Teerã.

Em novembro, outro relatório - baseado em informações descritas como "críveis" - indicou que o Irã havia construído um recipiente para o armazenamento de grandes explosivos em Parchin em 2000, para conduzir experimentos hidrodinâmicos.

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Image caption Instalação iraniana que recebeu equipamentos está protegidas de ataques dos EUA e de Israel

Estes experimentos, que envolvem explosivos poderosos em conjunção com materiais nucleares ou substitutos de materiais nucleares, seriam "fortes indicadores de um possível desenvolvimento de armas", de acordo com a AIEA.

O uso de material substituto e o armazenamento em uma câmara também podem ser usados para impedir a contaminação.

A Agência também diz que teria "fortes indicações de que o desenvolvimento de um sistema de ignição de explosivos e de um sistema de diagnóstico de alta velocidade para monitorar tais experimentos no Irã estaria sendo supervisionado pelo trabalho de um especialista estrangeiro" de outra potência nuclear.

Diferenças

O documento afirma ainda que apesar de discussões intensas, as conversas com o governo iraniano não resultaram em esclarecimentos sobre o enriquecimento de urânio no país.

O Irã entregou à Agência uma declaração classificando as preocupações como infundadas e dizendo que há "diferenças muito grandes" entre a organização e o país sobre como abordar o assunto.

A AIEA diz que o Irã acelerou a produção de urânio enriquecido a mais de 20%, aumentando o número de centrífugas utilizadas para enriquecer urânio.

O Irã afirma que está enriquecendo urânio para propósitos pacíficos, mas o Conselho de Segurança da ONU já ratificou quatro rodadas de sanções na república islâmica para pressioná-la a parar, com a justificativa de que a tecnologia adquirida pelo país pode ser usada para enriquecer urânio no nível necessário para uma ogiva nuclear.

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