Farcs vão abandonar sequestros

Protestos na Colômbia (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Milhares protestaram recentemente no país contra estratégia de sequestros das Farc

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmaram neste domingo que vão libertar 10 integrantes das forças de segurança do país que eram mantidos como reféns e que vão abandonar a tática de realizar sequestros para exigir pagamentos de resgates

A medida acontece três meses após as Farc matarem quatro reféns que eram mantidos por mais de 12 anos, o que gerou grandes protestos contra o grupo em várias partes da Colômbia.

As Farc não disseram se vão libertar os civis que ainda mantém prisioneiros. Os principais meios de financiamento do grupo são os sequestros e o tráfico de drogas.

Em comunicado divulgado em seu site, o Farc Secretariat, o grupo disse que libertará os últimos 10 "prisioneiros políticos" em seu poder.

O comunicado diz ainda que outros quatro sequestrados devem ser libertados.

O grupo já havia anunciado no ano passado que libertariam cinco policiais e um soldado, mas cancelou as libertações, alegando que havia ocorrido um aumento das atividades militares na área.

O comunicado afirma também que estava revogada a lei do grupo que permitia sequestros por dinheiro.

"Muito tem se dito sobre o sequestro de civis para fins financeiros que nós, as Farc realizamos para financiar nossa luta", afirma o comunicado.

"Anunciamos que a partir de agora a prática vai parar."

Reação

A maioria dos 10 integrantes das forças de segurança colombianos vem sendo mantidos como reféns há mais de uma década.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, elogiou a decisão, chamando-a de "passo importante", mas disse que ela "não é suficiente".

Santos havia dito no passado que não pode existir negociações de paz com os rebeldes até que eles libertem todos os cativos, parem com ataques, não recrutem mais menores de idade e interrompam suas atividades de narcotráfico.

O correspondente da BBC na Colômbia Jeremy McDermott disse que o comunicado representa uma concessão significativa.

O governo calcula que menos de 100 civis são mantidos cativos pelas Farc, mas não se sabe este número ao certo e ongs dizem que o número é bem mais alto.

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