Esforço humanitário para resgatar jornalistas feridos fracassa na Síria

Membros do Crescente Vermelho e da Cruz Vermelha em Homs, em foto de 25 de fevereiro (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Crescente Vermelho (acima) conseguiu retirar três cidadãos sírios da conflagrada Homs

Novas tentativas de resgatar dois jornalistas ocidentais feridos na Síria fracassaram nesta segunda-feira, informou a Cruz Vermelha.

Veículos do Crescente Vermelho chegaram ao conflagrado distrito de Baba Amr, na cidade de Homs, mas tiveram de sair sem os jornalistas.

A repórter francesa Edith Bouvier aparentemente se recusou a entrar nos veículos, e outras pessoas que iriam ser evacuadas decidiram ficar, em gesto de solidariedade.

No entanto, o Crescente Vermelho informou ter conseguido tirar três pessoas de Baba Amr. Acredita-se que sejam três cidadãos sírios, incluindo uma mulher grávida.

Ao mesmo tempo, tropas sírias continuavam a ofensiva contra diversas cidades do país, deixando mais de uma centena de mortos.

Os Comitês de Coordenação Locais (LCC), grupo ativista que organiza e documenta protestos antigoverno, disse que 125 pessoas morreram nos bombardeios desta segunda-feira pelo país, muitas delas em Homs. Mas não foi possível verificar esses números de maneira independente.

O enviado especial da BBC ao norte da Síria, Ian Pannell, informou que tropas do governo dispararam tiros e morteiros contra diversas cidades.

Jornalistas

Na semana passada, um bombardeio matou os jornalistas ocidentais Marie Colvin (de nacionalidade norte-americana) e Remi Ochlik (francês) e feriu a francesa Edith Bouvier e o fotógrafo britânico Paul Conroy.

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Image caption Francesa se feriu no bombardeio que matou dois jornalistas ocidentais

Bouvier fez um vídeo, apelando por um cessar-fogo que a permitisse ser retirada de Homs para ser operada de um ferimento na perna.

Ainda não está claro o porquê do fracasso do resgate da francesa e do britânico nesta segunda.

"Não conseguimos evacuar os jornalistas estrangeiros nem os corpos dos jornalistas mortos na semana passada. Não sabemos o motivo", disse um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, segundo a Press Association. "A situação em terra está muito tensa, e as comunicações estão muito difíceis."

A organização disse que continuará os esforços para resgatar Bouvier e Conroy.

Ao mesmo tempo, em resposta à continuidade da ofensiva das tropas do governo sírio, a União Europeia anunciou a imposição de novas sanções contra Damasco.

Elas incluem o congelamento, na Europa, de bens do Banco Central da Síria, o veto a viagens a sete pessoas próximas ao presidente sírio, Bashar al-Assad, além de restrições ao comércio de ouro e metais preciosos sírios com países da UE.

O premiê do Qatar, Hamad bin Jassim al-Thani, também defendeu a entrega de armas à oposição de Assad.

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Image caption Homs e outras cidades sírias pareciam continuar sob ataque nesta segunda

"Eles têm o direito de se defender com armas, e acho que devemos ajudá-los de todas as maneiras", declarou.

Referendo

Também nesta segunda, o governo sírio anunciou que uma nova Constituição foi aprovada pela maioria dos eleitores por meio de um referendo.

De acordo com o ministro do Interior sírio, Mohammed al-Shaar, cerca de 57% dos eleitores compareceram à votação. A nova Constituição, que prevê eleições multipartidárias para o Parlamento em um prazo de três meses, já teria 89% de votos a favor.

Mas o referendo foi considerado uma "farsa" por ativistas de oposição e por países ocidentais. Opositores disseram que a iniciativa foi um "exercício fraudulento de um regime manchado de sangue determinado a se manter no poder a qualquer custo".

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