Russos elegem presidente em meio a clima de ceticismo

Putin discursa em evento realizado na Rússia, no sábado (AP) Direito de imagem AP
Image caption Putin deve ser reeleito, mas enfrenta onda de ceticismo

Os russos foram às urnas neste domingo, para a eleição presidencial na qual Vladimir Putin espera ser reconduzido à Presidência para um terceiro mandato, após ter sido primeiro-ministro por quatro anos.

Putin governou o país de 2000 a 2008, mas a Constituição russa impede que um presidente se candidate a um terceiro mandato consecutivo. Ele enfrenta quatro oposicionistas, três dos quais já derrotou em ocasiões anteriores.

A votação acontece em meio a uma forte onda de protestos, indignação popular e ceticismo, provocada por acusações de que teriam ocorrido fraudes generalizadas a favor do partido de Putin, Rússia Unida, nas eleições parlamentares de dezembro.

As denúncias provocaram uma série de manifestações em diferentes pontos do país que reuniram cerca de 90 mil pessoas, que desafiaram um inverno rigoroso e temperaturas abaixo de zero.

A fim de aplacar os críticos, Putin anunciou a instalação de webcams nos 90 mil postos eleitorais do país, mas muitos na Rússia e entre a comunidade internacional questionam a eficácia da iniciativa.

Em um relatório, a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) afirmou que ''câmeras não podem capturar todos os detalhes do processo de votação, em especial a contagem de votos''.

Uma missão conjunta da OSCE e do Conselho Europeu formada por 250 pessoas irá monitorar as eleições. Milhares de russos se voluntariaram como fiscais eleitorais e receberam treinamento para saber identificar e denunciar possíveis fraudes.

'Dança das cadeiras'

O pleito presidencial já vinha sendo questionada por vários russos após Putin ter anunciado que faria, na prática, um ''revezamento'' com o atual presidente, Dimitri Medvedev, que foi o seu primeiro-ministro durante a sua presidência, e que agora irá retomar o antigo cargo - caso se confirme, é claro, a esperada eleição de Putin.

De acordo com correspondentes internacionais na Rússia, há um debate em vigor no país sobre se Putin seria a melhor pessoa para a Rússia e se é chegado o momento de realizar mudanças.

O repórter da BBC em Moscou Richard Galpin está acompanhando a votação na cidade de Novosibirsk, onde houve um aumento no número de pessoas se voluntariando para agir como fiscais eleitorais, após as denúncias de fraudes de dezembro passado.

Militantes chegaram até a realizar um programa de treinamento oferecido a milhares de novos monitores eleitorais.

''As conclusões alcançadas pelas equipes de monitores russos e internacionais a respeito da lisura do pleito será crucial para a legitimidade do novo presidente do país'', afirma Galpin.

De acordo com relatos da mídia russa, o Ministério do Interior deslocou 6 mil policiais moscovitas para outras regiões do país.

Candidatos

Putin foi votar ao lado de sua mulher, Ludmila. Em entrevista ao jornal russo Izvestia, ele afirmou: "Espero um bom índice de comparecimento, porque eleições presidenciais são um evento importante.Estou confiante de que as pessoas irão agir de forma responsável''.

O oposicionista com maiores chances é o comunista Gennady Zyuganov, que já concorreu em outras quatro ocasiões.

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Image caption Nacionalista Zhirinovsky (à esq.) e comunista Zyuganov estão entre os desafiantes de Putin

Os demais candidatos são o ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky, o oligarca Mikhail Prokhorov, que está concorrendo como um ndependente, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Sergey Mironov, do partido de centro-esquerda Uma Rússia Justa.

Candidatos ligados ao movimento que organizou os protestos contra a suposta manipulação de votos foram impedidos de participar do pleito.

Caso Putin não conquiste o equivalente a mais de 50% dos votos no primeiro turno, ele irá disputar uma segunda rodada com o rival que obtiver o maior número de votos.

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