Rebeldes fazem ‘retirada estratégica’ de subúrbio sírio sitiado

Baba Amr (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Cruz Vermelha diz que bombardeio contínuo impede sua entrada em bairro de Baba Amr

Forças rebeldes que combatem os militares sírios na cidade sitiada de Homs afirmaram nesta quinta-feira que a maioria de seus homens deixou o bairro de Baba Amr em uma "retirada estratégica".

O Exército Livre da Síria (ELS) disse estar saindo de Baba Amr para poupar as vidas dos cerca de 4 mil civis que se recusaram a deixar suas casas.

O bairro tem estado sob fortes bombardeios há um mês. Forças sírias dizem que agora têm controle total de Baba Amr.

O correspondente da BBC no vizinho Líbano disse que a retirada deve ter ocorrido graças a um acordo entre os dois lados, como já ocorreu em outras partes da Síria, para evitar um confronto final.

O ELS disse que alguns de seus homens permaneceram em Baba Amr para cobrir a retirada. Um comunicado publicado online em nome do grupo diz que eles não teriam armas suficientes para defender os civis.

O grupo pediu também que a Cruz Vermelha entre imediatamente no bairro para ajudar os civis necessitados por lá.

Foi dado ainda um aviso ao governo para que os civis não sejam feridos.

Neva fortemente em Homs, diminuindo o avanço das tropas do governo e piorando a situação dos civis na área.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que os contínuos bombardeios impedem sua entrada em partes da cidade e descreveu a situação no local como “muito preocupante”.

ONU

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas reunido em Genebra aprovou nesta quinta-feira uma resolução condenando o governo sírio pelo que chamou de amplas e sistemáticas violações de direitos humanos.

A resolução pediu que agências de ajuda tenham acesso aos necessitados.

O documento teve apoio de 37 países. Três votaram contra: Rússia, China e Cuba. O Brasil não tem direito a voto.

Analistas dizem que a resolução tem como objetivo pressionar a Síria antes da visita do enviado especial da ONU Kofi Annan para Damasco.

Conflito armado

Também nesta quinta-feira, o principal grupo oposicionista sírio disse ter formado um escritório militar como o objetivo de unificar a resistência armada contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

O Conselho Nacional Sírio (CNS) anunciou em Paris que tentará controlar a entrada e movimento de armas na Síria.

O líder do grupo, Burhan Ghalioun, disse que a decisão foi tomada de forma unânime pelos diferentes grupos armados de oposição, mas a medida não sinaliza o início de uma guerra civil.

Anteriormente pareciam existir divergências nas estratégias do CNS e do ELS sobre qual o peso que um conflito armado deveria ter nos esforços para a mudança de governo na Síria.

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