Investidores chineses avançam sobre vinhedos de Bordeaux

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Image caption Vendas de Bordeaux à China mais do que dobraram em 2011

Investidores chineses estão multiplicando as aquisições de vinhedos em Bordeaux, no sudoeste da França, uma das mais renomadas regiões produtoras de vinhos no mundo.

O objetivo dos novos proprietários é exportar a bebida para a China e também desenvolver, em alguns casos, o enoturismo voltado para uma clientela chinesa de alto poder aquisitivo.

A China já se tornou o primeiro importador mundial de vinhos de Bordeaux.

Em 2011, as vendas dessa bebida para o mercado chinês cresceram 110%. A China passou a representar quase 25% do total das exportações mundiais francesas de vinhos dessa região, de acordo com o Conselho Interprofissional de Vinhos de Bordeaux.

Segundo a imprensa francesa, cerca de 30 vinhedos com castelos na região de Bordeaux foram comprados por chineses nos últimos quatro anos e dezenas de outras propriedades estariam em negociação atualmente.

“O movimento de compra de vinhedos por chineses se acelerou nas últimas semanas”, diz o jornal Sud Ouest, da região de Bordeaux.

A mais recente aquisição é a do Châteaux du Grand Mouëys, castelo com arquitetura do século 18 que possui 60 hectares (600 mil m²) de vinhas, situado a 30 quilômetros ao Leste de Bordeaux.

A propriedade, que produz vinhos tintos e brancos, foi comprada pelo milionário chinês Jin Shan Zhang. Ele possui negócios em várias áreas, entre elas o comércio de bebidas e uma agências de viagens.

Dez mil turistas chineses esperados

Zhang não fala inglês nem francês, mas isso não o impede de ter projetos ambiciosos para o Château du Grand Mouëys.

“Nós vamos exportar pelo menos 80% da produção para a China e desenvolver o enoturismo no local”, afirma.

Para isso, ele irá reformar o castelo e criar na propriedade um spa com vista para os vinhedos, um restaurante gastronômico e campos de golf e de tênis.

“Com nossa agência de viagens, traremos 10 mil turistas chineses por ano à região”, diz Zhang.

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Image caption Chineses buscam propriedades que tenha castelos, caso do Châteaux Grand Moueys

Analistas avaliam que as compras de vinhedos de Bordeaux por empresários chineses estão apenas começando.

“Haverá cada vez mais aquisições. Os chineses estão vindo se abastecer diretamente para atender o enorme mercado do país para os vinhos de Bordeaux”, diz Philippe Hermant, da consultoria Transcapital, especializada em fusões e aquisições no setor alimentar.

Os analistas afirmam que os chineses preferem os vinhos intermediários, o que garante que o preço da venda do vinhedo seja mais acessível do que no caso dos grandes vinhos de Bordeaux mundialmente famosos.

Os investidores chineses também adquirem somente propriedades que possuem castelos porque isso garante prestígio para o produto e também permite realizar atividades ligadas ao turismo, sobretudo de luxo.

“Estamos apenas no início de um fluxo de turistas chineses que será extremamente significativo. Devemos nos preparar para atender a essa nova demanda”, afirma o presidente da Câmara de Comércio e de Indústria de Bordeaux, Pierre Goguet.

Os chineses não investem apenas no setor de vinhos na França. A hotelaria de altíssimo luxo em Paris e a moda também são áreas que têm atraído capitais chineses.

Em fevereiro, a grife de prêt-à-porter Sonia Rykiel foi comprada por um fundo de investimentos de Hong Kong. O costureiro Pierre Cardin, que anunciou que sua marca esta à venda, também recebeu propostas de um grupo chinês.