Justiça no Egito inocenta médico acusado de forçar 'testes de virgindade' em mulheres

Samira Ibrahim Direito de imagem Reuters
Image caption Samira Ibrahim entrou com processos para impedir exames e contra o médico

Um tribunal militar no Egito inocentou neste domingo um médico acusado de obrigar mulheres que protestavam na praça Tahrir a se submeterem a testes para determinar se elas eram virgens.

A agência de notícias Mena disse que o médico Ahmed Adel foi inocentado porque o juiz do caso determinou que havia contradições nos depoimentos das testemunhas.

O caso foi levado à Justiça por Samira Ibrahim, uma das mulheres que teria sido submetida a um dos exames.

Manifestantes estão se reunindo para protestar contra a decisão do governo egípcio, segundo o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne.

As mulheres foram presas por forças do governo na Praça Tahrir em março do ano passado, poucas semanas depois da queda do governo do ex-presidente Hosni Mubarak.

Elas disseram terem sido submetidas, por ordem do Exército egípcio, aos exames de até cinco minutos feitos por um médico homem.

O Exército negou a realização dos testes. Mas um general – que falou sob condição de anonimato – disse que os exames aconteceram.

Samira Ibrahim entrou com um processo para impedir que este tipo de teste seja proibido. Um tribunal administrativo do Cairo decidiu que exames de virgindade são ilegais.

Samira alega que pouco antes do processo contra o médico Ahmed Adel, algumas testemunhas mudaram suas versões.

De acordo com a agência Mena, o juiz disse que tomou a decisão com base nas informações que foram apresentadas no tribunal e com base em sua consciência, sem nenhuma pressão externa.