Após tiros e golpe em Mali, brasileiros se recolhem à espera de notícias

Rua de Bamako após golpe militar Direito de imagem AP
Image caption Brasil diz acompanhar com preocupação crise no Mali, onde vivem cerca de 30 brasileiros

Depois de uma manhã ainda tensa, com disparos pelas ruas, os brasileiros que vivem no Mali permanecem em casa à espera de notícias sobre a situação no país, palco de um golpe militar contra o governo do presidente Amadou Toumani Touré.

"Ainda não temos informações precisas sobre o desenrolar dessa crise", disse à BBC Brasil o embaixador brasileiro na capital do Mali, Bamako, Jorge José Frantz Ramos.

Segundo o embaixador, cerca de 30 brasileiros vivem no país, a maioria deles funcionários da embaixada ou voluntários, e todos estão bem.

"Aconselhamos que fiquem em casa, tranquilos", disse Ramos. "Estamos mantendo todos informados da situação."

O embaixador disse que, na tarde desta quinta-feira, a calma aparentava estar retornando à capital, com carros voltando a circular pelas ruas. O comércio, porém, permanecia fechado.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o Itamaraty disse que o governo brasileiro "acompanha com preocupação os acontecimentos em curso no Mali, que levaram à ruptura da ordem constitucional naquele país".

"O governo brasileiro apoia os esforços da União Africana no sentido de buscar o pronto restabelecimento da ordem constitucional e da democracia, conclamando as partes à moderação, ao diálogo pacífico e ao repúdio ao uso da força", diz a nota.

Saques

Depois de anunciar em um pronunciamento na TV estatal que haviam assumido o controle do país, os líderes do golpe disseram que todas as fronteiras e o espaço aéreo do Mali estão fechados e pediram calma à população.

Nesta quinta-feira, soldados saquearam o palácio presidencial em Bamako. Fontes oficiais disseram à BBC, porém, que o presidente está em segurança e não está sob custódia dos rebeldes.

Os soldados golpistas se autodenominam Comitê para o Reestabelecimento da Democracia e a Restauração do Estado e dizem que irão entregar o poder a um governo eleito democraticamente, "assim que a unidade nacional e a integridade territorial estejam estabelecidas".

Líderes do golpe dizem que a motivação foi o fato de o governo não dar aos militares armas suficientes para conter uma rebelião tuaregue no norte do país.

Segundo analistas, há a possibilidade de que o golpe fracasse, já que as tropas são mal-equipadas, lideradas por soldados de baixa patente e podem não ter o apoio de todas as forças armadas do país.

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