Suspeito de ataques na França morreu com tiro na cabeça, diz ministro

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O cerco policial na cidade de Toulouse terminou nesta quinta-feira com a morte do suspeito pelo assassinato de sete pessoas na região, segundo confirmou o ministro do Interior da França, Claude Guéant. Atiradores de elite mataram o francês de origem argelina Mohammed Merah, de 23 anos, com um tiro na cabeça.

A polícia entrou no apartamento onde ele estava sitiado desde a madrugada de quarta-feira.

Segundo Guéant, a decisão de invadir o prédio foi tomada após a perda de contato com o suspeito desde a noite anterior.

Durante uma coletiva de imprensa após o desfecho da ação policial, o promotor François Molins disse que Merah filmou os atentados e que as autoridades já assistiram às gravações.

Entre as declarações de Merah nas filmagens estão a intenção de colocar a França "de joelhos", e gritos de "Allahu Akbar, ou Deus é grande", em árabe. Além disso, ele aparece dizendo "vocês matam meus irmãos, eu mato vocês".

Falando após a morte do acusao de perpetrar os atentados, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a França punirá qualquer pessoa que visitar habitualmente sites de conteúdo radical."A França não tolerará recrutamento forçado ou doutrinação ideológica em seu solo", disse.

Ele disse ainda que a comunidade muçulmana francesa não tem "nada a ver com o assassino" e que não deve haver discriminação.

Cerco

Os policiais que invadiram o apartamento, após quase 32 horas de cerco, teriam sido recebidos a tiros. Guéant afirmou que Merah teria pulado por uma janela do apartamento.

Três policiais teriam ficado feridos na ação.

Merah é suspeito pelo ataque que matou um rabino e três crianças em uma escola judaica de Toulouse na segunda-feira e pela morte de três soldados em outros dois ataques na região na semana passada.

Segundo Guéant, os policiais atiraram granadas no apartamento e entraram pela porta e pelas janelas pouco após as 10h30 (6h30 de Brasília).

Eles encontraram Merah escondido no banheiro. Ele teria saído disparando com várias armas e teria pulado pela janela enquanto continuava a atirar, quando foi atingido pelo disparo de um atirador de elite.

Justiça

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Image caption Polícia esvaziou edifícios na região onde Mohammed Merah foi cercado

Pela manhã, Guéant havia dito que a prioridade da polícia era tirar Merah vivo do apartamento para que ele pudesse enfrentar a Justiça.

Durante a madrugada, a polícia realizou uma série de explosões para aumentar a pressão sobre o suspeito e forçá-lo a se render.

Após as primeiras explosões durante a madrugada, o vice-prefeito de Toulouse, Jean-Pierre Havin, afirmou à mídia local que "as negociações terminaram e a invasão começou", mas fontes do Ministério do Interior disseram depois que era apenas o começo da operação para pressionar Merah a se entregar.

Segundo as autoridades, ele estava fortemente armado com uma metralhadora Kalashnikov, uma pistola mini-Uzi 9 milímetros, vários revólveres e possivelmente granadas.

Policiais chegaram a entrar no apartamento na madrugada de quarta-feira, mas foram recebidos a tiros e recuaram. Dois policiais ficaram feridos.

O prédio de cinco andares onde Merah estava foi esvaziado, assim como os edifícios próximos.

Segundo a polícia, ainda há uma operação em curso em outros locais da cidade em busca de possíveis cúmplices. Outros membros da família de Merah foram detidos em meio ao cerco.

A mãe do suspeito foi levada ao local na quarta-feira de manhã para tentar convencer o filho a se entregar, mas ela afirmou à polícia que não tinha influência sobre ele.

Mensagens conflitantes

Segundo as autoridades envolvidas no caso, Merah teria dado mensagens conflitantes sobre a possibilidade de se render.

"Ele explicou que não é suicida e que não tem a alma de um mártir e prefere matar, mas permanecer vivo", disse o promotor François Molins.

Molins afirmou na quarta-feira que Merah planejava novos ataques.

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Image caption Ministro do Interior havia dito que prioridade da policia era tirar suspeito vivo do apartamento

"Se ele está dizendo a verdade, teria deixado essa casa de manhã e teria novamente matado qualquer soldado que encontrasse", afirmou Molins.

Molins afirmou que o suspeito não expressou remorsos pelas mortes e disse que queria matar mais pessoas para "deixar a França de joelhos".

Merah teria afirmado querer "vingar crianças palestinas" e protestar contra os "crimes da França" no Afeganistão.

Ele disse ter recebido treinamento da Al Qaeda no Paquistão e também ter passado pelo Afeganistão.

'Lobo solitário'

O ministro do Interior francês defendeu o trabalho dos serviços de inteligência, criticados por não conseguir prevenir os ataques, e descreveu Merah como um "lobo solitário".

"A agência de inteligência doméstica monitora muitas pessoas envolvidas com o radicalismo islâmico. Expressar ideias não é suficiente para levar alguém à Justiça", afirmou.

Christian Etelin, um advogado que havia representado anteriormente Merah, afirmou que seu cliente tem tendências violentas.

"Ele tinha sua religiosidade, um ódio crescente contra os valores da sociedade democrática e um desejo de impor o que ele acredita ser a verdade", afirmou Etelin.

O advogado também negou os relatos de que Merah teria sido preso no Afeganistão por manipular explosivos, dizendo que no período alegado, entre dezembro de 2007 e setembro de 2009, ele estaria preso na França por roubo.

Divisões

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Image caption Vítimas do ataque de segunda-feira foram enterradas na quarta-feira em Jersualém

Os corpos das quatro vítimas do ataque à escola na segunda-feira - um rabino e três crianças - foram enterrados na quarta-feira em um cemitério de Jerusalém, em Israel.

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, acompanhou a cerimônia.

No dia 11 de março, o suspeito teria matado um soldado com o qual marcou um encontro dizendo que queria comprar sua motocicleta.

Dias depois, dois soldados foram mortos e um terceiro foi ferido enquanto aguardavam em um caixa eletrônico.

Em pronunciamento na quarta-feira, antes de se encontrar com lideranças judaicas e muçulmanas em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy afirmou que os atentados não devem servir de desculpas para atos de vingança ou preconceito.

Segundo o presidente, atos de terror não conseguirão dividir a França, que abriga as maiores comunidades judaica e muçulmana da Europa.

"O terrorismo não conseguirá fraturar nossa comunidade nacional", afirmou. "Eu digo a toda a nação que precisamos ficar unidos", disse ele.

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