Missão de Annan é última chance de evitar guerra civil na Síria, diz presidente russo

Dmitry Medvedev recebe Kofi Annan em Moscou (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Medvedev prometeu 'todo apoio possível' da Rússia à missão de Annan na Síria

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, ofereceu apoio total à missão do enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, e disse que esta pode ser a última chance de evitar uma guerra civil na Síria.

"Esta pode ser a úlima chance de evitar uma longa e sangrenta guerra civil", disse Medvedev durante a reunião deste domingo com Annan em Moscou.

"Esperamos que seu trabalho tenha um resultado positivo", acrescentou.

"A Síria tem uma oportunidade hoje de trabalhar comigo para encerrar o conflito, a luta, e permitir acesso para aqueles que precisam de ajudar humanitária", disse Annan durante a reunião.

O governo russo pediu que Annan trabalhe com o governo da Síria e com os oposicionistas para tentar encerrar a onda de violência que já dura um ano no país.

Em uma reunião ocorrida antes do encontro com Medvedev, o ministro do Exterior russo, Sergey Lavrov, destacou "a necessidade de encerrar a violência de todos os lados e estabelecer um amplo diálogo" na Síria.

Segundo uma declaração divulgada depois da reunião entre Lavrov e Annan, o ministro pediu também que a comunidade internacional coopere com a missão de Annan ao país.

"Isto significa nenhuma interferência com os negócios internos da Síria e a não admissão de apoio a apenas um lado do conflito", informou a declaração.

Annan visita a Rússia para tentar obter apoio ao seu plano de paz para a Síria.

O enviado especial da ONU chegou no sábado em Moscou para convencer o governo russo a ter uma posição mais firme contra as operações do governo sírio. Na próxima semana, ele vai até a China que, como a Rússia, tem apoiado a Síria na ONU.

Plano de paz

Kofi Annan fez uma proposta de plano de paz com seis pontos principais, entre eles, o pedido para que o governo sírio suspenda imediatamente o uso de armamentos pesados em áreas populosas.

Annan também quer que os rebeldes armados parem com os ataques, o que também parece improvável segundo o correspondente da BBC em Beirute Jim Muir.

E os confrontos continuaram neste domingo, com ativistas relatando mais bombardeios na região da cidade de Homs, que mataram pelo menos cinco pessoas.

Também ocorreu bombardeio na cidade de Hamas e tanques foram vistos na cidade de Nawa, ao sul do país, segundo o Comitê de Coordenação Local.

Mais de 50 pessoas teriam sido mortas em bombardeios e por tiros disparados pelas forças de segurança do governo no sábado, muitas delas em Homs.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch divulgou um novo relatório afirmando que forças aliadas do governo sírio obrigaram civis a marcharem logo à frente dos soldados, como escudos humanos, enquanto eles avançavam em áreas dominadas pela oposição na província de Idlib, no começo de março.

Um vídeo obtido pela organização junto a ativistas mostra pessoas vestidas com roupas civis andando em frente a soldados armados e veículos de combate. Testemunhas afirmaram à Human Rights Watch que estava claro que a medida foi tomada para proteger os militares.

A ONU afirma que o conflito na Síria já matou mais de 8 mil pessoas desde que começou há um ano. O governo sírio, por sua vez, afirma que "gangues terroristas" são responsáveis pela violência e diz que mais de 3 mil membros das forças de segurança já foram mortos.

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