Sarkozy pede a canais de TV que não divulguem imagens de mortes feitas por atirador francês

Vítimas do atirador de Toulouse Direito de imagem AFP
Image caption Atirador teria filmado todas as execuções antes de ser morto pela polícia

A direção da rede de TV Al Jazeera vai decidir nesta terça-feira se irá divulgar o vídeo recebido pelo escritório parisiense da emissora com as cenas das mortes na escola judaica e de militares na França, reivindicadas por Mohamed Merah, afirmou o chefe da Al Jazeera em Paris, Zied Tarrouche.

Segundo ele, o vídeo de 25 minutos é uma montagem que apresenta, em ordem cronológica, cenas dos três ataques mixadas a músicas religiosas e versos do Corão.

"É possível ouvir os tiros, a voz do autor dos disparos, que foi deformada, e os gritos das vítimas", diz o chefe da Al Jazeera em Paris, que acrescenta ainda que o vídeo "foi bem realizado do ponto de vista técnico".

Em discurso na manhã desta terça-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu que os canais de TV não divulguem as imagens das mortes "por respeito às vítimas e à França".

Sarkozy afirmou que "não há nenhuma justificativa" para a divulgação das imagens das mortes de quatro pessoas em uma escola judaica, na semana passada - entre elas três crianças - e três soldados, nos dias 11 e 15 de março.

'Sensacionalismo'

O Conselho Superior do Audiovisual francês também fez um apelo para que os canais de TV do país não divulguem as imagens dos ataques cometidos em Toulouse e Montauban, no sudoeste da França.

"Não somos um canal sensacionalista, não estamos buscando divulgar as imagens sem calcular os riscos e as consequências", disse Tarrouche em entrevista ao canal BFM TV.

"Eu conversei com o procurador de Paris a respeito, que me falou sobre as consequências da divulgação das imagens. Mas também não podemos ser proibidos de realizar nosso trabalho de jornalista", afirmou Tarrouche.

O escritório parisiense da Al Jazeera recebeu um pendrive com imagens das mortes na segunda-feira, e uma carta manuscrita, e transferiu os documentos à polícia francesa.

Segundo Tarrouche, o atirador teria utilizado uma câmera presa ao peito, como já haviam revelado testemunhas que presenciaram os ataques. "Só vemos planos frontais, mais ou menos estáveis."

O vídeo, segundo a imprensa francesa, foi postado em um vilarejo próximo a Toulouse, onde residia Merah, e o carimbo do correio teria como data a terça-feira passada.

Os investigadores apuram se o envelope teria sido colocado no correio por Merah na noite de terça-feira, dia 20, antes do cerco à sua residência, iniciado na madrugada de quarta-feira, ou se ele teria um cúmplice.

A imprensa francesa afirma, com base em uma fonte policial não identificada, que o vídeo não teria sido postado por Merah, mas a informação não foi confirmada oficialmente.

O jovem francês de 23 anos, de origem argelina, foi morto na quinta-feira com um tiro na cabeça após um cerco policial que durou 32 horas.

Ele teria dito aos investigadores ter ligações com a rede Al-Qaeda e teria reivindicado os ataques para vingar as crianças palestinas e punir a França por sua presença militar no Afeganistão.

O local do enterro de Merah tem causado inúmeras discussões na França. Autoridades preferem que ele seja enterrado na Argélia, onde reside seu pai, alegando que sua sepultura poderia ser atacada em Toulouse.

O governo argelino já teria autorizado que Merah seja enterrado no país, mas sua mãe, que reside em Toulouse, preferiria que ele fosse sepultado na França.

O pai de Merah ameaçou entrar com uma ação contra a França pelo assassinato de seu filho por policiais.

Sarkozy disse nesta terça-feira estar "indignado" com o fato de que o pai de Merah queira processar a França pela morte do suspeito de sete assassinatos.

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