Elo Índia-Brasil engatinha, mas potencial é enorme, diz câmara de comércio

Fábrica têxtil na Índia, em foto de 16 de março (AP) Direito de imagem AP
Image caption Expectativa é de aumento nas trocas comerciais entre Brasil e Índia

A relação entre Índia e Brasil ainda está engatinhando, mas tem um potencial enorme, segundo Leonardo Ananda, diretor executivo da Câmara de Comércio Índia Brasil.

"A gente tem uma expectativa de que, nos próximos cinco a oito anos, a Índia esteja entre os cinco maiores parceiros comerciais do Brasil (hoje está entre os 20 maiores)", disse ele à BBC Brasil.

Neste ano, as trocas entre os dois países devem ultrapassar os US$ 10 bilhões, cifra modesta se comparada aos US$ 50 bilhões do comércio bilateral Brasil-China no ano passado.

"É muito importante que os Brics aumentem essas relações comerciais entre eles para se fortalecer ainda mais", diz Ananda, opinando que esses países "já têm uma posição coesa nos fóruns multilaterais, mas precisam fortalecer mais as trocas comerciais".

O diretor foi um dos participantes de reuniões durante a Quarta Cúpula dos Brics (Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul), ocorrida nesta semana, em Nova Déli.

Tecnologia da informação

Um dos principais setores de investimentos indianos no Brasil, no momento, é o de tecnologia da informação.

"A InfoSystems, que é uma grande empresa de TI, está instalada em Belo Horizonte, a Tata Consultancy Services está em São Paulo e há várias outras empresas já investindo ou analisando investimentos no Brasil. Essa relação na área de tecnologia da informação já é uma realidade."

Outra área importante é a área de mineração e siderurgia, que já tem grandes empresas indianas investindo no Brasil.

O gigante indiano Tata, que tem mais de cem empresas em sete setores e um faturamento que passou de US$ 80 bilhões (R$ 145 bilhões) em 2010-11, vê o Brasil como um de seus mercados prioritários e prevê a abertura de uma nova fábrica da Jaguar/Landrover, que pertence ao grupo, no Brasil.

O conglomerado também analisa investimentos no setor hoteleiro brasileiro, com sua rede de luxo Taj.

Entre as empresas brasileiras que já atuam na Índia estão o grupo Gerdau, no setor de siderurgia, a Stefanini, no setor de tecnologia, e o grupo de calçados Vulcabras/Azaleia.

A Embraer é uma tradicional fornecedora de jatos executivos ao país, e a Vale avalia a possibilidade de uma atuação maior na Índia, especialmente no setor de carvão.

O grupo brasileiro Marcopolo já tem uma parceria com o grupo Tata na fabricação de ônibus na Índia.

Futebol

A Câmara de Comércio Índia Brasil quer agora estimular o turismo entre os dois países usando um recurso pouco comum: o futebol.

"A gente brinca que a maior torcida da seleção brasileira está aqui, na Índia. O país tem 1,2 bilhões de habitantes e eles são apaixonados pelo futebol brasileiro", diz Ananda.

Ele está estudando agora a possibilidade de transmitir o Campeonato Brasileiro de futebol para a Índia, achando que a jogada pode fazer com que os indianos vejam o país ainda com mais simpatia.

Outro projeto é trazer a seleção brasileira para uma apresentação na Índia.

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