Combatentes sírios da oposição serão 'pagos'

Burhan Ghalioun. | Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Países, sem Rússia e China, se comprometeram a ajuda financeiramente a oposição síria

Rebeldes lutando contra o governo do presidente Bashar Al-Assad na Síria receberão salários, segundo o Conselho Nacional da Síria (CNS), principal grupo de oposição.

Neste domingo, durante um encontro dos "Amigos da Síria", que reuniu mais de 70 países ocidentais e árabes na Turquia, o CNS anunciou que pagará os soldados que deixarem as forças do governo para se juntarem à oposição.

Delegados da conferência afirmaram que os países árabes ricos do Golfo contribuiriam com milhões de dólares a cada mês para o fundo do Conselho Nacional.

Na reunião, os ministros de Relações Exteriores dos países também, reconheceram o CNS como um "representante legítimo" dos sírios.

Damascos chamou o encontro de "inimigos da Síria" e países como a Rússia, a China e o Irã não compareceram.

Em uma coletiva de imprensa, o ministro das Relações Exteriores turco Ahmet Davutoglu afirmou que o plano de paz de seis pontos proposto por Kofi Annan - com o qual Damasco concordou em princípio - "não é sem limites fixos".

Os comentários de Davutoglu foram ecoados pela secretária de Estado americana Hillary Clinton que disse que "não há mais tempo para desculpas e atrasos" do governo de Assad. "É a hora da verdade", disse ela.

Compromisso

"O CNS vai se encarregar dos pagamentos dos salários fixos de todos os oficiais, soldados e outros que são membros do Exército Livre Sírio", disse o presidente do Conselho, Burhan Ghalioun, na conferência.

O correspondente da BBC em Istambul, Jonathan Head, diz que a decisão de pagar os combatentes rebeldes é um passo significante do Conselho Nacional Sírio em reconhecer o papel central que a insurgência armada tem na campanha para tirar Assad do poder.

Uma das líderes da oposição disse à BBC que esperava que mais financiamentos substanciais ajudem a unir as unidades dispersas do Exército Livre Sírio em uma força de combate mais coerente e encorajar outros soldados a deixarem as forças de segurança do governo.

Alguns países presentes na conferência - especialmente a Arábia Saudita - vem pedindo abertamente que os rebeldes sírios recebam armas.

No entanto, Estados Unidos e Turquia estão entre os que se opõem à ideia, temendo que a entrada de armas no país leve a uma guerra civil sectária.

De acordo com Head, a decisão de aumentar a ajuda não-letal aos rebeldes pagando salários para os combatentes é um compromisso.

Disputas

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Image caption A violência continua no país, dias depois Assad afirmar que aceitava o plano de paz da ONU

O correspondente diz ainda que nem todos os grupos de oposição ficarão satisfeitos com a decisão da cúpula de países de canalizar a ajuda financeira pelo CNS e reconhecê-lo como representante legítimo.

"Muitos ativistas acreditam que a liderança do CNS está sendo muito ineficiente e tem que ser substituída", diz Head.

O aspecto de unidade sustentado pelo grupo de países "Amigos da Síria" foi prejudicado pela notável ausência de China e Rússia, que repetidamente rejeitaram quaisquer resoluções internacionais que exigissem a renúncia de Bashar Al-Assad.

O Iraque, que havia sugerido que poderia não ir ao encontro, acabou comparecendo. No entanto, o primeiro-ministro Nouri Al-Maliki deixou claro antes da reunião que se opõe ao envio de armas à oposição e que acredita que o regime sírio sobreviverá.

O governo da Síria afirmou no último sábado que está perto de acabar completamente com o levante popular.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do país, Jihad Al-Makdisse, afirmou à TV Síria que "a batalha para derrubar o governo acabou".

Os conflitos continuam neste domingo, com relatos de mais de 10 pessoas mortas, um dia depois da morte de outras 60 em todo o país.

No último episódio de violência, ativistas relataram ataques de forças de segurança em áreas próximas à fronteira com o Iraque no leste do país e à fronteira com a Jordânia, no sul.

A ONU afirma que mais de 9.000 pessoas foram mortas desde o início do levante contra o regime do presidente Bashar al-Assad, há um ano.

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