Sarkozy ganha fôlego e acirra disputa pela Presidência da França

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, em campanha pela reeleição Direito de imagem Reuters
Image caption Sarkozy passou recentemente a liderar intenções de voto no primeiro turno

A 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais na França, a disputa se torna mais acirrada com o novo fôlego conquistado pelo presidente Nicolas Sarkozy nas últimas pesquisas frente ao rival socialista François Hollande.

A candidatura de Sarkozy teria ganhado força, segundo a imprensa francesa, após os ataques contra uma escola judaica e militares em meados de março, reivindicados por um jovem que alegou ter ligações com a rede Al-Qaeda.

Sarkozy – o presidente francês com o menor índice de popularidade das últimas décadas – passou recentemente a liderar as intenções de voto no primeiro turno, segundo algumas pesquisas, como a do Instituto Ipsos para o jornal Le Monde, publicada na terça-feira.

Segundo o Ipsos, Sarkozy registra 29,5% das intenções de votos no primeiro turno, contra 27,5% para Hollande.

Apesar das projeções para o primeiro turno serem mais positivas para Sarkozy, todas as pesquisas de diferentes institutos indicam a derrota do presidente no segundo turno, no dia 6 de maio.

Mas Sarkozy conseguiu reduzir a diferença em relação ao rival no segundo turno a uma faixa entre dez e 12 pontos percentuais. Em fevereiro, a diferença era de até 20 pontos percentuais.

Centro e extrema direita

Segundo alguns jornais franceses, Sarkozy estaria conseguindo agora atrair eleitores centristas e da extrema direita com seu discurso mais à direita, focado em questões de segurança, sobretudo após os ataques contra a escola judaica, em março, e também em relação à imigração.

Ao apresentar nesta quinta-feira, finalmente, seu programa de governo caso seja reeleito, detalhando medidas econômicas e fiscais já anunciadas, Sarkozy aproveitou para reiterar que pretende reduzir a imigração na França pela metade.

Uma pesquisa do instituto Ipsos para o jornal Le Monde e para centros de estudos de ciências políticas, divulgada nesta quinta-feira, revela que uma parte do eleitorado centrista, de François Bayrou, e da extrema direita, da candidata Marine Le Pen, teria mudado seu voto a favor de Sarkozy.

Segundo a pesquisa, a alta de 2,5 pontos percentuais do presidente em relação à última projeção é devida, em parte, a eleitores centristas e da extrema direita.

Uma outra pesquisa, do instituto OpinionWay para o Le Figaro, publicada nesta quinta, revela que, pela primeira vez, o número de eleitores centristas que votariam no segundo turno em Sarkozy (37%) é maior do que os que prefeririam o socialista (34%).

Suspense

Esse novo fôlego na candidatura de Sarkozy criou um suspense em relação aos resultados da eleição.

Analistas franceses, que não descartam uma eventual reeleição de Sarkozy, ressaltam que caso isso ocorra, sua vitória se tornará um tema de estudo em todas os cursos de ciências políticas do mundo, em razão da baixa popularidade do presidente.

Sarkozy também estaria conseguindo mobilizar, diz a pesquisa do Le Monde, eleitores da direita que, desiludidos com o governo, normalmente não iriam votar (na França o voto não é obrigatório).

O índice de indecisos e de pessoas que podem se abster na votação é de 32%, segundo pesquisas, o que cria ainda mais incertezas em relação aos resultados.

Nesta quinta-feira, Sarkozy finalmente detalhou seu programa de governo, caso seja reeleito, em um documento intitulado "carta ao povo francês", como já havia feito o ex-presidente socialista François Mitterrand com sua "carta aos franceses".

O candidato declarou que "esforços" no valor de 115 bilhões de euros serão necessários. Desse total, 70 bilhões de euros se referem a cortes de gastos e 45 bilhões de euros a aumentos de impostos.

Sarkozy prometeu também um déficit público "zero" em 2016. Em 2011, o déficit atingiu 5,2% do PIB, resultado melhor do que o previsto, que era de 5,7% do PIB.

"Foi muito barulho para nada", declarou Hollande em relação ao programa de Sarkozy, criticando que não há medidas para a retomada do crescimento econômico.

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