Entenda a crise no Mali

Civis fugiram dos combates na  região norte e foram para a capital do Mali (Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Civis fugiram dos combates na região norte e foram para a capital do Mali

O Mali está enfrentando uma crise política sem precedentes, a mais grave desde que o país do oeste da África conseguiu a independência da França, em 1960.

Os rebeldes tuaregues declararam a independência de uma área no norte do Mali.

O Movimento Nacional para Libertação da Azawad (MNLA) anunciou através de seu site a declaração de independência do território, reivindicando seu reconhecimento por governos de outras nações africanas.

Mas, a União Africana já rejeitou a declaração.

O avanço dos rebeldes tuaregues sobre o norte do Mali ocorreu depois que dissidentes do Exército derrubaram o governo do país há duas semanas.

O Exército tomou o poder acusando o governo eleito de não ser severo o bastante com os rebeldes. Mas, enquanto os militares cuidavam de outros problemas, os rebeldes avançaram rapidamente.

O Mali é um dos países mais pobres do mundo e os países vizinhos ainda ameaçaram impor um bloqueio econômico ao país depois do golpe do mês passado.

Veja quem são os principais envolvidos na crise política do Mali.

O presidente derrubado do poder

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Touré ganhou o apelido de 'soldado da democracia'

Amadou Toumani Touré - o general do Exercito é visto por muitos como o homem que resgatou o Mali da ditadura militar e estabeleceu a democracia no país. Ele foi deposto da Presidência em março.

Conhecido como ATT, ele deveria deixar o cargo em abril.

Touré ocupou o poder pela primeira vez em um outro golpe, em 1991, derrubando o líder militar Moussa Traore. As forças de segurança tinham matado naquela época mais de cem manifestantes pró-democracia.

Ele entregou o poder aos civis no ano seguinte, o que fez com que Touré ficasse conhecido como "soldado da democracia".

Em maio de 2002, Touré venceu as eleições presidenciais e, em 2007, foi reeleito.

Nascido em 1948, Touré não tem um partido oficial e sempre tentou conseguir o apoio do maior número possível de grupos políticos do país.

Ele ainda está em liberdade e provavelmente está na capital, Bamako, ou nas proximidades.

O líder do golpe

O golpe do dia 21 de março parece ter sido espontâneo, surgido de um motim no acampamento militar de Kati, a cerca de dez quilômetros do Palácio Presidencial em Bamako.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Sanogo é descrito como carismático, porém brusco

Foi liderado por um oficial de média patente do Exército, capitão Amadou Sanogo, um dos poucos que não fugiram do acampamento de Kati quando o motim começou.

Sanogo, que tem mais de 35 anos, é de Segou, a segunda maior cidade do Mali, a cerca de 240 quilômetros ao norte de Bamako. O pai de Sanogo era enfermeiro no centro médico da cidade.

O jornalista Martin Vogl, em Bamako, descreve o militar como um homem carismático e simpático, porém de modos um pouco ásperos.

Sanogo passou toda sua vida profissional no Exército do Mali e teve parte de seu treinamento nos Estados Unidos.

Os rebeldes tuaregues

O Movimento Nacional para LIbertação da Azawad (MNLA) e o grupo Ansar Dine Islâmico são os dois maiores grupos tuaregues envolvidos na ocupação do norte do Mali.

Outros grupos menores afirmam que também participaram dos combates.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption MLNA quer a independência da região norte do Mali

Apesar de ter objetivos diferentes, o MNLA e o Ansar Dine se unem de vez em quando e isto aconteceu na captura da cidade de Timbuktu, na região norte. Mas segundo Martin Vogl, existem tensões entre os grupos.

O MNLA quer a independência para sua região, que chama de Azawad.

Uma declaração divulgada pelo MNLA afirma que agora que estão controlando o norte do país, vão parar com as lutas e iniciar o "missão de defender o território de Azawad, para a felicidade de seu povo".

Duas figuras importantes no MNLA são o secretário-geral do movimento, Bila Ag Cherif, e o chefe do braço militar do grupo, Mohame Ag Najim.

Entre os membros do grupo estão tuaregues malineses que, durante a rebelião na Líbia, lutaram junto com as forças de Muamar Khadafi, quando ele tentava se manter no poder.

Depois da queda e morte de Khadafi estes tuaregues voltaram para o Mali, bem treinados e carregando armamentos pesados.

O outro grande grupo tuaregue, o Ansar Dine Islâmico, é liderado pelo ex-líder tuaregue Iyad Ag Ghali.

O grupo tem ligações com o braço da Al-Qaeda no norte da África, conhecido como a Al-Qaeda do Maghreb Islâmico.

O Ansar Dine afirma que não luta pela independência, quer que a região norte do país continue sendo parte do Mali, mas quer introduzir a Sharia (lei islâmica) em todo o país, que é, em sua maioria, muçulmano.

Notícias relacionadas