Violência continua na Síria apesar de cessar-fogo

Imagem colocada no YouTube mostra tanques nas ruas de Homs nesta terça-feira Direito de imagem AFP
Image caption Imagem colocada no YouTube mostra tanques nas ruas de Homs nesta terça-feira

A violência continua na Síria nesta terça-feira, apesar de um cessar-fogo que havia sido acordado pela oposição e pelo governo para este dia.

A cidade de Homs voltou a ser bombardeada. Durante a madrugada, houve confrontos nas fronteiras com a Turquia e com o Líbano. Testemunhas dizem que militares também estão agindo na província de Aleppo.

A escalada de violência havia se intensificado nos últimos dias, na véspera da data do cessar-fogo. Na segunda-feira, mais de cem pessoas morreram - a maior parte delas civis.

Cessar-fogo

O governo do presidente Bashar Al-Assad inicialmente concordou com um plano de cessar-fogo proposto pelo enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan. Mas posteriormente Al-Assad insistiu que os manifestantes de oposição deveriam entregar garantias por escrito de que também abandonariam o esforço armado.

O Exército pela Libertação da Síria, um dos grupos da oposição que está em conflito com o regime, disse apoiar o plano de cessar-fogo, mas não concordou com a última exigência feita por Al-Assad.

O plano de Annan previa uma retirada de tropas sírias dos centros urbanos mais populosos e o fim do uso de artilharia pesada nesta terça-feira. Na quinta-feira, o cessar-fogo seria integral, com o fim completo da violência.

"Apesar destas medidas positivas, nós percebemos diariamente a escalada da oposição das gangues terroristas armadas", disse o ministro.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que em suas negociações com o ministro sírio o governo de Damasco havia renovado seu compromisso com o plano de paz de Annan. Ele disse que o sucesso do plano depende dos países que possuem maior influência junto aos grupos de oposição.

Na segunda-feira, vários refugiados em um acampamento na Turquia ficaram feridos, depois que soldados sírios do outro lado da fronteira abriram fogo. Duas pessoas foram mortas quando se aproximaram da fronteira síria.

O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, disse durante uma visita à China que incidentes deste tipo são uma "clara violação" das suas fronteiras, e que o país adotará "medidas cabíveis" em resposta à Síria.

A imprensa da Turquia noticiou que o ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, interrompeu sua participação na viagem à China para retornar ao país. A Turquia já recebeu quase 24 mil sírios que estão fugindo do conflito.

Kofi Annan pretende viajar à Teerã esta semana, para buscar apoio do Irã na mediação de uma solução para o conflito sírio.

A ONU afirma que nove mil pessoas já morreram desde março do ano passado, quando começou a violência entre manifestantes e governo na Síria.

Notícias relacionadas