Conselho de Segurança condena golpe militar na Guiné-Bissau

Fonteira Guiné-Bissau/Senegal Direito de imagem AFP
Image caption Viajantes esperam em fronteira de Guiné-Bissau com Senegal fechada após golpe de Estado

O Conselho de Segurança da ONU condenou na tarde desta sexta-feira o golpe militar que derrubou o governo da Guiné-Bissau e insistiu para que os rebeldes libertem imediatamente o premiê Carlos Gomes Júnior e o presidente interino Raimundo Pereira.

"Os membros do Conselho de Segurança condenam a ação militar e pedem a imediata restauração da autoridade civil", disse a embaixadora Susan Rice dos EUA, país que atualmente preside o órgão.

Em dezembro de 2011, rebeldes haviam fracassado ao tentar derrubar o governo do então presidente Malam Bacai Sanhá, que estava em coma por motivo de doença.

Sanhá, que havia assumido o governo em 2009 após o assassinato de seu antecessor, morreu em janeiro de 2012, provocando a convocação de eleições especiais.

O segundo turno do pleito estava marcado para acontecer no próximo dia 29 de abril.

<span >Favorito

Gomes era candidato o favorito na corrida presidencial. Sua casa foi ataca com explosivos e em seguida um porta-voz dos militares rebeldes anunciou sua prisão.

Como premiê, Gomes tentava colocar em prática uma política para reduzir o poder dos militares no governo.

Em comunicado divulgado na última quinta-feira, os rebeldes afirmaram que o golpe foi colocado em prática após Gomes ter supostamente negociado a entrada de militares de Angola no país para atacar as Forças Armadas locais.

Essa informação não foi confirmada por fontes independentes.

Para analistas, os militares golpistas estariam envolvidos com o tráfico de drogas e temeriam uma intervenção internacional que acabasse com a prática.

As ilhas de Guiné-Bissau são usadas como entreposto em uma rota internacional de tráfico de cocaína das América Latina para a Europa.

Ataques

O golpe começou na noite de quinta-feira quando a rádio estatal foi tirada do ar e o centro da capital Bissau bombardeado e em seguida dominado por militares rebeldes.

Na tarde de sexta-feira, os golpistas anunciaram a prisão do premiê e do presidente. O Conselho de Segurança afirmou não saber a atual localização dos reféns.

A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) se reunirá emergencialmente neste sábado em Lisboa para debater o tema.

Segundo um diplomata que atua na CPLP, ouvido pela BBC Brasil, ainda não há informações confiáveis sobre a situação em Guiné-Bissau. A reunião, que deveria ter acontecido nesta sexta-feira, acabou sendo atrasada.

A Cedeao (Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental) também condenou o golpe.

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