Brasil não precisa de estímulo monetário para crescer, diz especialista

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Image caption Especialista do FMI diz que Brasil foi beneficiado pela desaceleração da economia mundial

O Brasil não precisa de estímulos monetários para avançar até chegar ao seu potencial de crescimento, avaliou nesta terça-feira um especialista do Fundo Monetário Internacionl (FMI) em Washington.

O vice-chefe do Departamento de Pesquisa da entidade, Thomas Helbling, disse que, da mesma forma que o país foi "ajudado" pelo desaceleração econômica mundial, será também impulsionado quando o resto do planeta voltar a crescer.

"No ano passado, antes do desaquecimento da economia global superior ao esperado, o Brasil estava superaquecido, se beneficiando dos fluxos de capital, dos aumentos no preço das commodities e do rápido crescimento do consumo doméstico", disse o especialista.

"De certa forma, o esfriamento da economia global ajudou o Brasil, no sentido de reduzir o tamanho do superaquecimento."

Segundo Helbling, "há um sentimento de que novas políticas monetárias não são necessárias, porque a maior parte da ajuda para manter a economia crescendo perto do potencial virá da melhora da economia global".

Crescimento abaixo da média regional

O FMI divulgou nesta terça-feira suas projeções para a economia global, contidas em seu relatório Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook).

Para o Brasil, as previsões são de um crescimento econômico de 3% esse ano – abaixo da média latino-americana de 3,7% – e de 4,1% em 2013.

"A economia crescendo 4,1%, ficará mais perto do seu potencial de crescimento, ou até um pouco acima", disse Helbling a jornalistas.

Para a economia global, o FMI aumentou a previsão de crescimento de 3,3% para 3,5% em 2012.

As razões da melhor expectativa foram a retomada, ainda tímida, do crescimento nos EUA e a efetividade das medidas de liquidez tomadas pelo Banco Central Europeu para combater a crise.

Entretanto, o diretor do Departamento de Pesquisas do FMI, Olivier Blanchard, disse que a economia global vive um momento de "calma nervosa", e que "a qualquer momento as coisas podem piorar".

Qualquer mudança no panorama da atividade global quase certamente levaria a uma mudança nas projeções para o Brasil, afirmaram os especialistas do Fundo.

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