Conselho de Segurança da ONU aprova ida de mais observadores à Síria

Protesto em Douma, Síria, em foto de sexta-feira (AP) Direito de imagem AP
Image caption País vive há um ano onda de manifestações e repressão

O Conselho de Segurança da ONU aprovou neste sábado, por unanimidade, aumentar de 30 para 300 o número de observadores a serem enviados à Síria durante três meses, com objetivo de monitorar o cumprimento do país árabe de um acordo de paz.

Os 15 membros do órgão da ONU também voltaram a apelar pelo fim da violência na Síria, onde vigora um frágil cessar-fogo que, como a BBC pôde comprovar, não parece ter efetividade em partes do país.

Há até poucos dias, áreas no norte do país continuavam convivendo com tanques e com disparos constantes, cuja autoria não pôde ser verificada.

Segundo a resolução aprovada neste sábado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, terá a autoridade para decidir quando enviar o contingente adicional de monitores, com base nos desdobramentos reportados na Síria e na "consolidação do cessar-fogo".

Ban acusou o presidente sírio, Bashar al-Assad, de não respeitar a trégua, incluída num plano de paz aceito pela Síria.

O plano de paz, negociado pelo ex-secretário da ONU Kofi Annan, prevê a retirada das forças sírias de áreas residenciais, a libertação de prisioneiros políticos, a permissão para a realização de protestos pacíficos, um maior acesso à mídia e o início de um processo democrático de transição política. Sua efetividade ainda é duvidosa.

Homs

Também neste sábado, monitores da ONU já no país puderam visitar a conflagrada cidade de Homs, bastião da oposição que tem estado sob constantes bombardeios pelas tropas sírias.

A visita ocorreu num momento de aparente calmaria - ativistas disseram que o governo interrompeu a ofensiva contra a cidade e tirou seus tanques de circulação durante a ida dos representantes externos. Sendo assim, eles dizem esperar que os ataques sejam retomados em breve.

Apesar de, em geral, a violência ter se reduzido na Síria desde a assinatura da trégua, na quinta-feira, muitas violações foram denunciadas por ativistas e jornalistas em campo.

O enviado da BBC à Síria, Ian Pannell, que esteve em Idlib (norte) dias atrás, acompanhou rebeldes se preparando para confrontos e testemunhou tanques oficiais em ação e trocas de tiros.

Segundo a agência Reuters, apenas na última sexta-feira foram registradas 23 mortes em confrontos no país, sendo dez delas em decorrência da explosão de uma bomba que alvejava forças de segurança nas proximidades de Homs.

Autoridades de Damasco, que estão há mais de um ano combatendo a insurgência no país, rejeitam as acusações de opressão e dizem estar enfrentando "grupos terroristas".

Desde seu início, no ano passado, os confrontos sírios já deixaram mais de 9 mil mortos, estima a ONU.

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