Mãe e filha denunciam cortes gregos como 'crime contra humanidade'

Manifestante protesta na Grécia Direito de imagem REUTERS
Image caption Manifestante protesta no começo do mês na praça principal de Atenas, na Grécia

Um grupo de dez pessoas está movendo um processo contra o pacote de austeridade do governo da Grécia no Tribunal Penal Internacional, acusando a medida de ser um "crime contra a humanidade".

O grupo inclui dez pessoas com idades entre 19 e 50 anos, e é liderado por duas pedagogas – que são mãe e filha. O grupo argumenta que os cortes de gasto público estão "matando o povo grego" e que as medidas são o equivalente a um "genocídio em meio à paz".

O processo é liderado por Tanya Yeritsidou e por sua mãe, Olga. O perfil dos gregos que apoiam a iniciativa das duas não é formado por extremistas, mas sim por gregos de classe média e de bom nível de educação.

Muitos são profissionais liberais – como fisioterapeutas, advogados, médicos – que estão sendo fortemente atingidos pelo pacote do governo grego, que visa combater a grave crise financeira provocada pelo alto nível de endividamento do país.

"Ao pegar o nosso dinheiro e a nossa propriedade, nós não temos acesso a abrigo, comida, saúde, educação, transporte e trabalho", diz Olga à BBC.

"Ao nos privar de nossa renda, eles nos proíbem de casar e de ter filhos. As pessoas mais jovens, que não conseguem se sustentar, não podem casar. Enquanto isso, os mesmos jovens são empurrados para imigrar para outros países."

O processo movido por mãe e filha contém acusações fortes, como a de "destruição intencional de uma raça" por parte do governo grego.

A Grécia enfrenta uma grave crise econômica desde 2010, e teve que recorrer a empréstimos emergenciais de organismos internacionais. Em troca da ajuda, o país se comprometeu a implementar profundas reformas para reduzir o nível de endividamento. Mas isso tem provocado ainda mais desemprego e crise.

'Humano'

Para o advogado constitucional grego George Katrougalos, o processo tem poucas chances de vingar.

"Esse caso é legalmente absurdo. Não existe nenhuma base jurídica para se mover uma ação deste tipo. Mas eu consigo entender isso, como comportamento humano diante de uma crise", disse o advogado à BBC.

A Grécia se prepara para ir às urnas no dia seis de maio, e os cortes no orçamento são o principal tema da campanha eleitoral.

Para Elena Panaritis, do partido governista Pasok, culpar as medidas de austeridade é uma forma simplista de lidar com a crise atual da Grécia. A tentativa de levar um caso ao Tribunal Penal Internacional não vai dar em nada, ela acredita.

"Essas duas senhoras só olham para o resultado de algo que elas consideram ser o resultado da austeridade, em vez de o resultado de uma economia que foi muito mal administrada por décadas", disse Panaritis à BBC.

"No entanto, os gregos estão votando nos mesmos partidos que estas duas senhoras estão criticando."

O grupo liderado por Tanya e Olga se mantém confiante no seu processo no Tribunal Penal Internacional. O caso será agora analisado pela Corte, que precisa decidir se deixa o processo ir adiante ou não.