Dissidente cego dribla guarda e escapa de prisão domiciliar na China

Imagem do vídeo de Chen Guangcheng, postado no YouTube (Foto: AFP/Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Imagem do vídeo de Chen Guangcheng, postado no YouTube

Um dos ativistas pró-direitos humanos mais famosos da China, o advogado Chen Guangcheng, fugiu da prisão domiciliar e divulgou um vídeo dirigido ao primeiro-ministro do país, Wen Jiabao.

Chen estava cumprindo a sentença de prisão domiciliar desde que foi libertado da prisão, em 2010.

Segundo o grupo americano de defesa dos direitos humanos ChinaAid, Chen estaria sob "proteção americana" em Pequim e aguardando "negociações de alto nível" entre autoridades americanas e chinesas sobre seu destino.

Anteriormente outro ativista chinês, Hu Jia, afirmara que Chen estaria na embaixada americana em Pequim. Nenhum dos dois países comentou as informações.

No vídeo que posto na internet pelo site de notícias sobre dissidentes Boxun, baseado nos Estados Unidos, Chen pede que Wen Jiabao investigue e processe autoridades locais que, de acordo com ele, teriam espancado membros de sua família.

O dissidente também pede garantias de segurança para sua família e faz um apelo ao governo chinês para que enfrente e puna a corrupção no país.

Ativistas afirmam que Chen conseguiu escapar de sua casa na cidade de Dongshigu, na província de Shandong, no domingo passado.

Críticas

As autoridades da China foram alvo de críticas da comunidade internacional devido ao tratamento dado ao dissidente, que é cego. A filha de Chen chegou a ser proibida de frequentar uma escola e vários amigos ou simpatizantes do dissidente que tentaram visitá-lo teriam sido espancados.

O caso de Chen ficou famoso no mundo todo. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu várias vezes pela libertação do dissidente e deve visitar Pequim na próxima semana.

Chen Guangcheng é conhecido como o "advogado descalço". Ele perdeu a visão durante a infância, mas não completou estudos jurídicos formais, pois pessoas cegas não tem permissão de frequentar universidades na China.

Ele acusou autoridades locais de terem coagido mais de 7 mil mulheres de sua província a se submeterem a abortos ou esterilizações.

O ativista também prestou assessoria jurídica a fazendeiros em disputas de terras e fez campanha pela melhora no tratamento de pessoas portadoras de deficiências.

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