Londres 2012: Biossensores ajudam a melhorar desempenho de atletas de ponta

A atleta britânica Allyson Felix. | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Tecnologia já é usada por atletas de diversas modalidades para medir resultados

Os biossensores, pequenos chips implantados no corpo de alguns atletas, permitem que suas reações sejam melhor analisadas em termos fisiológicos e biomecânicos, possibilitando a melhora de seu desempenho.

Apesar de existirem há algum tempo (medindo, por exemplo, frequências cardíacas), ocorreram significativos avanços recentes na tecnologia destes chips.

"Os biossensores representam uma nova fronteira para o esporte. Agora podemos obter dados dos desempenhos de atletas remotamente e em tempo real", diz Leslie Saxon, do Centro de Computação do Corpo da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

"Podemos obter detalhes como a aceleração e a posição, frequência cardíaca, respiração e o cansaço. Além disso, podemos comparar os dados com estatísticas e análises para obter uma imagem completa da condição física de um atleta e como seu corpo reage durante uma prova", afirma.

"Tudo isso proporciona uma visão completa dos fatores que influem no rendimento, como qual foi a alimentação e a que horas ela aconteceu no dia anterior e quantas horas o atleta dormiu na noite anterior", completa.

Os dados permitem que sejam desenvolvidos treinamentos específicos para melhorar a performance, além de ajudar a prevenir possíveis riscos para o atleta, como problemas cardíacos.

A especialista diz também que os biossensores ajudam ainda a prevenir lesões e prolongar a carreira de um atleta.

Agulhas pequenas

"O talento continua sendo vital para um esportista, mas não é o suficiente", diz o porta-voz da empresa eslovena TMG Srdjan Djordjevic, um dos fabricantes de biossensores.

"A tecnologia, assim como as melhores ferramentas de diagnóstico são importantes não apenas para melhorar o rendimento, mas também para determinar um treinamento menos perigoso, com menos lesões e problemas de esforço", diz ele.

Jogadores de futebol, membros do atletismo, ciclismo, basquete, alpinismo e esqui, entre outros, têm usados os sensores da empresa, que também participa de um programa junto com a entidade pública britânica UK Sport, para analisar o desempenho de esportistas de elite.

"Os sensores medem forças, velocidades, ângulos e agora começamos a entender como a fisiologia também afeta algumas destas medidas e resultados", diz Scott Drawer, da UK Sport.

Pankaj Vadgama, do Instituto Queen Mary da Universidade de Londres, é um dos responsáveis pelo desenvolvimento das pequenas agulhas (que medem poucos milímetros, para evitar incômodos) usadas para monitorar os níveis de oxigênio, glucose e lactose nos atletas. Desde o final de 2011 a entidade começou a realizar testes com humanos.

"Um atleta sob pressão parece com um paciente em estado de choque. O corpo está em condições extremas", diz ele.

"Aprendemos nos últimos 20 anos que os parâmetros fisiológicos como o oxigênio na respiração e o ritmo cardíaco fornecem informações muito valiosas sobre o estado de seu rendimento, mas até agora não havíamos conseguido obter essas informações em forma de leitura contínua", completa.

O departamento de Saxon na Califórnia começou a usar os sensores também para medir a reação nos corpos de fãs enquanto estes assistem a provas.

"Posso gravar meu próprio ritmo cardíaco ao ver o time de futebol para o qual torço e depois comparar com os resultados dos jogadores. É possível fazer muita coisa divertida com estes dados", diz ela.

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