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Com 'oito olimpíadas' no currículo, Bernard diz que Londres 2012 será 'maravilhosa'

O chefe da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman, disse que a organização dos Jogos na capital britânica é 'maravilhosa' e que a Olimpíada deste ano será uma das melhores de todos os tempos.

Bernard esteve em Londres para fazer a pré-inscrição dos atletas olímpicos brasileiros nos Jogos que começam no dia 27 de julho. O ex-atleta tem oito olimpíadas em seu currículo – e uma medalha de prata, em 1984, com a equipe de vôlei.

"Desde 1976, eu só não fui a uma Olimpíada. Eu joguei três como atleta, sou medalhista olímpico de vôlei, e só não fui a 1988 [em Seul, na Coreia do Sul]. E fui a todas as outras, seja como ministro de Esportes ou como convidado", disse Bernard à BBC Brasil.

Image caption Bernard Rajzman foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984

"Eu acho [a organização de Londres 2012] maravilhosa. Eu acho que Londres vai fazer uma grande olimpíada. Os equipamentos esportivos são de primeiríssimo mundo. As pessoas que virão à Londres certamente assistirão, se não for o melhor, a um dos melhores Jogos Olímpicos."

Segundo ele, uma lição que o Brasil já está aprendendo com Londres – por meio de intercâmbio direto com o órgão organizador britânico Locog – é a de não construir elefantes brancos, já que parte do equipamento – como a arena de basquete e as arquibancadas da piscina olímpica – provavelmente serão desmontadas e enviadas para o Rio de Janeiro, para os Jogos de 2016.

Qualidade e defeito

Bernard aponta uma qualidade e um possível defeito nos Jogos Olímpicos da capital britânica. O ponto de forte será a confraternização nas ruas. Bernard lembra que em Pequim, muitos dos moradores locais não falavam línguas estrangeiras, e que houve um certo distanciamento em relação aos torcedores. Já o ambiente em Londres deve ser muito diferente.

O maior problema, para o chefe da delegação brasileira, pode ser o trânsito, já que a cidade tem ruas estreitas e um tráfego muito grande. No entanto, ele acredita que isso poderá ser superado, pois todos já os torcedores provavelmente estarão preparados para lidar com esses problemas.

Como chefe da delegação brasileira, Bernard tem se esforçado para dar aos atletas brasileiros o que acredita será a melhor infraestrutura oferecida ao Brasil em todos os jogos. A principal inovação é o uso exclusivo do centro esportivo de Crystal Palace, no sul da cidade, que possui pistas de atletismo, piscinas e equipamentos de ponta.

"Isso é um conceito novo que o COB vem desenvolvendo, acompanhando os países de primeiro mundo, que usam algo parecido na sua pré-aclimatação", diz Bernard.

"Quanto mais você puder oferecer qualidade nos serviços, no atendimento ao atleta, menos ele vai reclamar, e melhor será o desempenho dele. Tendo descanso, alimentação boa, lugar de treinamento específico de qualidade, ele vai ter um desempenho melhor e isso vai influenciar diretamente em uma vitória, uma medalha, ou não."

Um dos desafios foi justamente fazer com que os atletas brasileiros escapem do trânsito na cidade. Bernard acredita que este tipo de facilidade pode contribuir para o Brasil conquistar mais medalhas.

"O fato de [Crystal Palace] estar muito próximo do alojamento, a dois minutos do treinamento de qualquer prática esportiva, num local que oferece as melhores qualidades, será um diferencial. Você não ter que se deslocar, pegar um ônibus, andar duas horas para ir treinar e depois voltar, isso vai servir para influenciar diretamente no resultado."

Apesar de todo o esforço, Bernard crê que o Brasil não terá necessariamente um desempenho muito melhor no quadro de medalhas em comparação com Pequim.

"É muito cedo para se falar em salto de medalhas. Eu acredito que para 2016 o Brasil sim vai dar um salto de qualidade muito grande. Os grandes investimentos passaram a ocorrer em pouquíssimo tempo e os resultados já estão aparecendo. A gente costuma dizer que não tem bola de cristal, que não pode prever o que vai acontecer, mas o Brasil está preparando uma geração de atletas que vai certamente haverão de nos orgulhar em 2016."

Em sua passagem por Londres, Bernard fez uma pré-inscrição do Brasil nas Olimpíadas. Como apenas 194 atletas brasileiros estão com vaga garantida até agora, Bernard precisou pré-inscrever cerca de 800 atletas. A maioria dos nomes na lista não deve obter o índice técnico necessário para os Jogos, ou poderá apenas participar no caso de lesão de um titular até o começo dos Jogos.

A inscrição da lista definitiva será feita até o dia 10 de julho, quando os atletas começam a desembarcar em solo britânico.

Outro motivo que deve dificultar o aumento no número de medalhas é que o Brasil possivelmente terá uma delegação menor do que em Pequim. Bernard acredita que entre 250 e 260 atletas brasileiros conseguirão vaga para Londres 2012, um número levemente inferior aos 277 de Pequim 2008. O motivo, segundo ele, é que os índices técnicos de atletismo e natação aumentaram, o que dificulta a classificação dos atletas.