Como era a vida familiar de Bin Laden?

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Image caption Bin Laden viveu no complexo em Abbottabad por cerca de cinco anos

Cartas de Osama Bin Laden reveladas na quinta-feira dão uma ideia sobre a mente do falecido líder da Al-Qaeda, mas revelam pouco sobre sua vida familiar durante seus anos na clandestinidade no Paquistão.

Sabemos de outras fontes, no entanto, que durante sua estada de dez anos lá, ele e sua família viajaram por todo o país, tiveram acesso a serviços médicos e de maternidade e estavam em constante comunicação com o mundo exterior.

Há um ano, quando os soldados dos EUA mataram o homem mais procurado do mundo na localidade de Abbottabad, viviam lá quase duas dúzias de mulheres e crianças.

Alguns deles foram julgados por residirem ilegalmente no Paquistão depois de passarem mais de nove meses mantidos em locais secretos pelos serviços de inteligência do país.

Na semana passada, 14 membros da família Bin Laden, incluindo três mulheres, foram deportados para a Arábia Saudita.

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Image caption O complexo onde ele viveu foi demolido

O filho de Bin Laden, Khalid, foi morto no ataque, como o mensageiro de confiança, Ibrar, conhecido como Arshad Khan, ou Abu Ahmed al Kuwaiti.

A esposa de Khan e seu irmão, Ibrahim também morreram.

Algemas

Outros membros da família sobreviveram, mas seus paradeiros atuais são segredos muito bem guardados.

Uma vez que nenhuma destas testemunhas falou em público, sabe-se pouco sobre a vida de Bin Laden no Paquistão.

Sabemos, por exemplo, que ele passou seis anos naquela casa.

Peter Bergen, da CNN, o único jornalista que fez um tour do complexo de Abbottabad, definiu o local como sendo "um acampamento miserável, de longo prazo, mas improvisado".

Osama estava cercado por crianças que raramente podiam sair para jogar críquete. Ele possivelmente discutia com suas esposas.

A mais nova, Amal Abd Fatah, uma cidadã iemenita, deu uma noção de como era sua vida com Bin Laden para os interrogadores paquistaneses.

O relatório, que vazou para a mídia, a cita dizendo que ela se casou com o chefe da Al-Qaeda na cidade afegã de Candahar em 2.000 e viveu lá com duas outras mulheres, até os ataques de 11 de Setembro.

Naquela época, a família se separarou e ela foi para Karachi (Paquistão), onde permaneceu com sua filha recém-nascida até meados de 2002, quando se reencontrou com Bin Laden.

Segundo Shaukat Brig Qadir, um ex-oficial militar que fez uma investigação sobre a morte de Bin Laden, em 2002 o casal passou um tempo em uma aldeia ao sul de Peshawar.

Lá, Bin Laden teria sido tratado de uma doença, segundo o depoimento de Amal, e foi visitado por Khalid Sheikh Mohammed, paquistanês nascido no Kuwait, que agora enfrenta julgamento nos EUA por ser o cérebro do 11 de setembro.

Aparentemente, Bin Laden, Amal e os filhos mudaram-se para Shangla, perto do Vale Swat, em algum momento entre o final de 2003 e início de 2004.

Então, no verão de 2004, mudou-se para Haripur, até finalmente se estabelecer no complexo Abbottabad no final de 2005 ou início de 2006.

Crianças

Amal disse aos seus interrogadores que, entre 2003 e 2008 deu à luz quatro filhos, todos em hospitais estaduais.

Pouco se sabe ainda sobre as outras duas esposas de Bin Laden, depois que a família foi separada em 2001.

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Image caption Foto do passaporte de Amal Abdulfattah

Segundo Qadir, a saudita Shareeja Seeham e seus três filhos se encontraram com Bin Laden e Amal em Haripur em 2004, e permaneceram com eles até a morte de Osama.

Ela era a mãe de Khalid, 24 anos, morto junto com Bin Laden.

Qadir diz que ela é professora por profissão e ficou com a família para "garantir que as crianças tivessem uma educação já que não entrariam em qualquer instituição de ensino".

Acredita-se que a mais velha das esposas de Bin Laden, Sahaba Khaeriah, outra cidadã saudita, foi para o Irã com seus cinco filhos quando a família foi dividida após o 11 de Setembro. Ela foi detida entre 2003 e 2004 pelo governo iraniano.

Khaeriah foi solta em setembro de 2010 como parte de uma troca de prisioneiros que envolveu um diplomata iraniano, Hashmatullah Atherzadeh, sequestrado por militantes em Peshawar, em 2008.

Enquanto seus filhos se dispersaram por vários locais, Khaeriah conseguiu chegar até o tenente de Bin Laden, Abdur Rahman Attiya, na região tribal paquistanesa do Waziristão.

Ciúme

Segundo o brigadeiro Qadir, a mulher mais jovem de Osama, Amal, era muito ciumenta.

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Image caption Osama Bin Laden era o fundador e líder da Al-Qaeda

"Osama Bin Laden, na época, só dormia com Amal. Por que, então Khaeriah decidiu se reunir com um marido de quem tinha se separado havia anos e com quem não tinha mais nada?"

O militar suspeita que ela pode ter ajudado os americanos a chegar até covil de Bin Laden.

No entanto, parece que os investigadores paquistaneses tiveram dificuldades para obter dela qualquer informação útil.

Qadir pesquisador cita uma fonte da inteligência paquistanesa (ISI, na sigla em Inglês) dizendo:

"Ela é tão agressiva que é quase intimidadora. Só poderíamos ter feito ela admitir qualquer coisa sob tortura."

Bin Laden foi capaz de deixar sua casa em Abbottabad pelo menos uma vez, tentando impor sua autoridade em uma organização cada vez mais difícil de manejar com membros rebeldes.

Em maio de 2010, a BBC soube que o líder da Al-Qaeda foi para a região do Waziristão.

À época, na região, aeronaves não tripuladas derramavam chuvas de mísseis e várias operações militares paquistanesas estavam em andamento.

Ele aparentemente foi visitar a base de seus comandantes operacionais e avaliar a situação pessoalmente.

Osama então avaliou a região em um longo memorando que deu a Abdur Rahman Attiya, aconselhando-o a levar os militantes para um lugar mais seguro.

O memorando, escrito em outubro de 2010, é um dos documentos divulgados pelo Exército dos EUA na quinta-feira passada.

Estes documentos também sugerem que ele não confiava nos serviços de Inteligência paquistaneses e aconselhava seus simpatizantes a serem extremamente cuidadosos.

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