Acordo dá a Netanyahu apoio político sem precedentes em Israel

Benjamin Netanyahu | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Com mais aliados no Parlamento de Israel, Netanyahu pode levar adiante plano de atacar Irã.

A entrada do então partido oposicionista Kadima na coalizão de governo liderada por Binyamin Netanyahu confere poderes políticos sem precedentes ao primeiro-ministro de Israel, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

De acordo com os especialistas, o governo de união nacional pode aumentar a pressão sobre o Irã e até abrir caminho para um eventual ataque ao país.

A reviravolta na politica israelense, ocorrida na madrugada desta terça feira, acabou por cancelar as eleições previstas para setembro. Netanyahu havia convocado o pleito após uma divergência entre dois partidos de sua coalizão.

Com o acordo, a base de sustentação de Netanyahu no Parlamento subiu de 66 para 94 deputados, entre os 120 que compõem a casa.

Coalizão

De acordo com o cientista politico da Universidade de Bar Ilan, Jonathan Rynhold, a composição de governos de união nacional sempre ocorre em situações dramáticas em Israel.

Rynhold lembrou os governos de união nacional formados no país antes da guerra de 1967 e durante a grave crise econômica dos anos 1980.

O acordo entre Netanyahu e o líder do Kadima, Shaul Mofaz, para a formação do governo de união nacional também serve aos interesses dos dois lados.

Segundo analistas locais, com esse acordo, Netanyahu obteve o que queria com a antecipação das eleições, ou seja, aumentar sua base de apoio no Parlamento.

Mofaz, por sua vez, conseguiu se esquivar das eleições antecipadas ao aderir ao governo com as 28 cadeiras que o Kadima atualmente possui.

As últimas pesquisas de opinião indicam que, caso houvesse eleições, o Kadima sofreria uma queda drástica, tendo sua força reduzida a apenas 11 cadeiras no Parlamento.

Irã

Segundo Rynhold, nessas circunstâncias "fica mais fácil" para o governo israelense tomar a decisão de ir em frente com os planos de um possível ataque a instalações nucleares do Irã.

"Acho que o governo ainda não decidiu se irá atacar o Irã ou não", afirmou. "Tudo vai depender da atitude dos Estados Unidos."

Segundo o analista, "há um grande ponto de interrogação em Israel sobre a disposição do governo americano de utilizar a força contra o Irã se for necessário".

"Se Israel não se convencer disso, poderá decidir atacar", acrescentou. "Se eu fosse o presidente Obama, hoje eu ficaria mais preocupado com a possibilidade de Israel atacar o Irã", disse Rynhold à BBC Brasil.

O ministro dos Transportes, Israel Katz, declarou nesta terça-feira que "se fosse Ahmedinejad, ficaria mais preocupado hoje".

Apesar de o Kadima já ter se manifestado contra um ataque ao Irã, essa possibilidade "pode certamente crescer", segundo o analista politico do jornal Haaretz, Gideon Levy. Segundo o analista, Mofaz poderia "mudar de ideia facilmente".

Há duas semanas, lideranças israelenses deram indicações de que não há um consenso sobre um ataque iminente ao Irã.

O chefe das Forças Armadas israelenses, Benny Gantz, disse não acreditar que o Irã vai desenvolver armas nucleares – o principal argumento usado contra Teerã.

Em entrevista ao jornal Haaretz, Gantz disse que a liderança iraniana é composta de pessoas racionais que não desejariam "dar um passo além".

O ministro da Defesa, Ehud Barak, também afirmou que o governo iraniano "ainda não decidiu fabricar armas nucleares".

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