Quadrilha de estupradores atraía adolescentes britânicas com álcool e drogas

Condenados por estupro na Grã-Bretanha (PA) Direito de imagem PA
Image caption Origem dos condenados e das vítimas gerou tensão racial no norte da Inglaterra

A Justiça britânica condenou, nesta terça-feira, nove homens acusados de comandar uma rede de exploração sexual de crianças na área da Grande Manchester.

Os homens, das cidades de Rochdale e Oldham (norte da Inglaterra), receberam penas de quatro a 19 anos de prisão, sob acusação de terem abusado de garotas de cerca de 13 anos, após terem dopado-as com drogas e álcool.

As meninas, em situação de vulnerabilidade (sem laços familiares fortes), eram assediadas em ruas da Grande Manchester e atraídas com comida, drogas e companhia. Acabavam sendo forçadas a terem relações sexuais, em alguns casos até 20 vezes na mesma noite, segundo as investigações.

Acredita-se que os abusos estivessem ocorrendo há anos, e que quase 50 meninas estejam entre as vítimas.

Os réus, por sua vez, eram em sua maioria trabalhadores noturnos, como taxistas e entregadores de comida. Eles foram condenados por crimes como estupro e conspiração para abusar sexualmente de menores.

A polícia acredita que outros 40 homens também possam estar envolvidos na rede criminosa.

A imprensa britânica aponta que a amplitude do caso se deve a falhas da polícia e dos serviços de assistência social, que deram pouca atenção a indícios, datados de 2008, de que uma menina de 15 anos estava sofrendo abusos sistemáticos nas mãos de homens mais velhos.

O juiz do caso, Gerald Clifton, disse que os condenados agiram movidos à "luxúria e ganância". "Vocês trataram (as vítimas) como elas não tivessem valor e não merecessem respeito", afirmou aos homens.

Outros dois réus foram absolvidos.

Tensão racial

Os nove condenados são de origem asiática - oito paquistaneses e um exilado afegão -, e muitas das meninas abusadas são caucasianas, fato que elevou as tensões no caso.

A polícia local insiste que os crimes tinham motivação sexual, e não racial, e que as vítimas foram escolhidas por sua situação de vulnerabilidade, e não por sua etnia.

Ainda assim, representantes da extrema direita britânica realizaram protestos quase semanalmente durante o julgamento, e o presidente do partido radical BNP (British National Party, de forte agenda anti-imigração), Nick Griffin, foi a uma das cidades envolvidas no caso para tentar recrutar novos membros à agremiação.

Já o advogado de defesa, Simon Nichol, disse que seu cliente - o exilado afegão que não pode ter seu nome divulgado por motivos legais - questionou o fato de o júri ser formado por pessoas brancas. "Ele (o réu) acredita que as condenações se devem à religião e à raça dos acusados", afirmou Nichol.

Notícias relacionadas