Bancos centrais da Europa cogitam saída da Grécia da zona do euro

Líder do partido socialista Pasok, Evangelos Venizelos (dir.) e o líder do Syriza, Alexis Tsipras (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Líder do partido socialista Pasok, Evangelos Venizelos (dir.) e o líder do Syriza, Alexis Tsipras, se reunirão com o presidente grego no domingo

Presidentes de bancos centrais europeus expressaram abertamente neste sábado a possibilidade da saída da Grécia da zona do euro.

O presidente do Banco Central da Alemanha, Jens Weidmann, afirmou que os gregos devem decidir se continuam com o euro, mas alertou que, se o país não mantiver seus compromissos com os empréstimos já recebidos, não receberá mais ajuda.

"Se Atenas não mantiver sua palavra, será uma escolha democrática. A consequência será que a base para uma nova ajuda (econômica) vai desaparecer", disse.

Patrick Honohan, presidente do Banco Central da Irlanda, disse em uma conferência em Tallinn, na Estônia, neste sábado, que saída da Grécia da zona do euro seria danosa mas não necessariamente fatal para a moeda europeia.

"Tecnicamente, pode ser gerenciado", disse.

"Seria um golpe na confiança na zona do euro como um todo. (...) Não é necessariamente fatal, mas não é atraente", acrescentou.

Na mesma conferência, Olli Rehn, comissário europeu para assuntos econômicos e monetários, teria dito à agência Bloomberg que a Europa "com certeza está mais resistente" a uma possível saída da Grécia da zona do euro do que estava há dois anos, quando o bloco estava "muito despreparado".

"Ainda acredito que a Grécia pode ficar na zona do euro se encontrar uma forma de dar a certeza de que vai respeitar seus compromissos", afirmou, acrescentando que a Grécia sofreria mais do que a Europa no caso de uma saída.

Per Jansson, vice-presidente do Banco Central da Suécia, teria dito à agência Bloomberg na sexta-feira que os presidentes de bancos centrais da Europa já tinha começado a discutir a possibilidade da saída da Grécia da zona do euro e como lidar com as consequências.

"Eu seria muito cuidadoso com a especulação de que seria um processo indolor e sem complicações", disse Jansson em Estocolmo.

Esforço pela coalizão

Neste final de semana, o presidente grego, Karolos Papoulias, iniciou o último esforço para tentar formar um governo de coalizão. Caso ele fracasse, a Grécia não terá alternativa senão convocar novas eleições.

O país passou por eleições no domingo passado, mas nenhum dos partidos conseguiu maioria no Parlamento para formar um governo.

Neste domingo, Papoulias vai se reunir com os três maiores partidos, o de centro-direita Nova Democracia, o socialista Pasok e o de esquerda Syriza.

Mas, analistas afirmam que a possibilidade de Papoulias conseguir formar um governo de coalizão é baixa, pois os partidos estão muito divididos a respeito da questão da ajuda econômica da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo pesquisas de opinião, caso ocorra uma nova eleição, o partido de esquerda Syriza seria o maior beneficiado.

Os esquerdistas do Syriza rejeitam o pacote de ajuda da União Europeia e do FMI, que exige duras medidas de austeridade em troca de um empréstimo de 130 bilhões de euros (cerca de R$ 330 bilhões).

John Bournos, um porta-voz do partido, disse à BBC que o Syriza quer que a Grécia continue na zona do euro, mas rejeita as medidas de austeridade.

"O povo grego está sofrendo para pagar taxas de juros especulativas e tornar mais ricos os sistemas bancários da Grécia e da Europa", disse.

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