Pela 1ª vez, minorias étnicas compõem maioria de recém-nascidos nos EUA

Mão de bebê, em foto de arquivo (BBC)
Image caption Taxas de natalidade estão em queda, mas sobretudo entre os brancos

Bebês de minorias raciais e étnicas representam atualmente mais da metade dos nascimentos nos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Censo 2010 do país.

Com isso, pela primeira vez na história, o número de nascimentos de crianças brancas não-hispânicas deixou de ser majoritário no país.

Recém-nascidos negros, hispânicos, asiáticos e de outras misturas étnicas equivaleram, entre julho de 2010 e julho de 2011, a 50,4% dos nascimentos americanos.

Ainda assim, os brancos continuam representando a maior fatia individual do total de nascimentos, com 49,6%, e seguem sendo a maior parte da população total americana (63,4%).

Por sua vez, as minorias étnicas representam 36,6% do total dos americanos.

Desaquecimento econômico

Em geral, as taxas de natalidade estão em declínio nos EUA, mas a redução maior foi verificada justamente na população branca.

Para estudiosos, isso pode ser consequência, entre outros fatores, do desaquecimento da economia dos EUA, que teria desestimulado os brancos a terem filhos.

O sociólogo Robert Harrison, ex-chefe de estatísticas do Censo, diz que a mudança da composição dos nascimentos nos EUA é "um marco importante".

"A geração atual está crescendo muito mais acostumada à diversidade do que as pessoas mais velhas", declarou.

Anos de crescimento da população hispânica já indicavam que os nascimentos de bebês brancos tendiam a se tornar minoritários nos EUA. Mas acredita-se que os latino-americanos estejam chegando ao seu pico numérico no país.

"A população latina é muito jovem, o que significa que continuará a ter filhos (em quantidade relativamente maior) do que a população em geral", explicou Mark Mather, do Population Reference Bureau.

"Mas estamos vendo uma redução de ritmo, provavelmente resultado de uma combinação de fatores: menor taxa de nascimentos por mulheres latinas e menores índices de imigração. Se essas tendências continuarem, haverá mudanças profundas (na demografia do país) no futuro."

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