Venezuela vive 'guerra de pesquisas' meses antes das eleições

Ato de apoio a Hugo Chávez (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Pesquisas de intenção de voto se transformaram em armas de campanha na Venezuela

As eleições presidenciais da Venezuela ocorrem apenas no dia 7 de outubro, mas o país já vive o que pode ser chamado de "batalha das pesquisas".

Apesar de divulgarem índices diferentes, a maioria aponta como favorito o presidente Hugo Chávez. Em uma delas, Chávez aparece com 30 pontos de vantagem nas intenções de voto, em outra, ele tem menos que um ponto e meio. Uma delas até dá vantagem ao candidato da oposição, Henrique Capriles.

Os especialistas consultados pela BBC afirmam que a diferença de resultados se deve aos problemas de representatividade das amostragens de público, no sistema de perguntas e até ao atual ambiente político da Venezuela.

A única certeza em meio à batalha pelos números é que as pesquisas se transformaram em uma forma a mais de fazer política antes das eleições de outubro.

"É claro que há uma diferença que está muito acima do erro estatístico", disse à BBC Francisco Bello, diretor da Encuestas Pronóstico, uma das empresas de pesquisa de opinião da Venezuela.

"As pesquisas se transformaram e em um instrumento a mais do partidarismo", acrescentou.

Pesquisas e resultados

Na última terça-feira uma das pesquisas de opinião divulgadas dava a Chávez uma vitória arrasadora (de acordo com a pesquisa da Consultores 30-11: 56,8% a 27,1%). Outra pesquisa, divulgada no mesmo dia, foi praticamente a única dos últimos tempos que deu a maioria das intenções de voto a Capriles (FPD Consultores: 44,8% a 46,1%).

Francisco Bello perguntou como foi possível que "no mesmo dia se apresentem duas pesquisas parecidas, com datas semelhantes, tamanho semelhante de amostra e uma diga que Capriles está na frente e a outra, que Chávez (está em primeiro) e, acima de todo, com uma diferença tão grande".

No mesmo dia, um relatório do Bank of America deu poucas possibilidades de vitória para Capriles. Em meio à batalha dos números, o relatório do banco americano parece ser o que realmente merece a credibilidade nos mercados financeiros internacionais.

A divulgação do informe do Bank of America coincidiu com uma queda do valor dos títulos da dívida soberana da Venezuela e dos bônus emitidos pela estatal Petrolífera Pdvsa, além de ter coincidido também com as más notícias vindas da Grécia.

Sem conspirações

O diretor da empresa de pesquisa ICS, Juan Scorza, defendeu os institutos e descartou conspirações.

"É difícil colocar todas as pesquisas de acordo. Existem as (pesquisas) acadêmicas, as empresariais e as de partido. Pensar em uma trama (de manipulação) é muito complicado", disse Scorza à BBC.

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Image caption Segundo pesquisas, de comícios começassem hoje, Capriles perderia por uma grande diferença

Luis Vicente León, diretor da Datanálisis, também fez a defesa dos pesquisadores e lembrou que as quatro ou cinco empresas de pesquisas mais reconhecidas sempre adiantaram números que ficaram muito próximos do resultado das urnas.

"Os pesquisadores venezuelanos nunca tivera um problema. Muito mais do que em qualquer outro país da América Latina, as projeções eleitorais venezuelanas tem sido perfeitas", disse León à BBC.

"Se, a cada vez que ocorre uma eleição, se inventam dez nomes novos que começam a publicar coisas diferentes, que cada um constrói em função do que convém à sua campanha e comparar isso com os trabalhos técnicos, então não vamos entender nada", acrescentou.

Para León, "pesquisas e propaganda são incomparáveis", "duas coisas completamente diferentes".

Além disso, é preciso levar em conta que as pesquisas de opinião também são sempre um retrato do momento e os comícios presidenciais ainda vão começar apenas em quatro meses.

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