Em artigo, Fernando Meirelles pede que Dilma evite 'catástrofe' e vete Código

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Image caption Fernando Meirelles foca no apelo ao veto ao código florestal em artigo no Guardian

Em artigo assinado publicado no site do jornal britânico The Guardian, o cineasta Fernando Meirelles pede à presidente Dilma Rousseff que vete os pontos do Código Florestal que, segundo ele, ameaçam a sobrevivência da Amazônia.

Esta sexta-feira é a data limite para que a presidente anuncie se veta ou não artigos do Código Florestal.

"Nunca antes a sobrevivência da floresta dependeu tanto de uma só pessoa. Mas é nesta posição em que a presidente do Brasil, Dilma Roussef, se encontra. O Congresso brasileiro aprovou um código florestal que coloca a Amazônia e outras florestas sob ameaça", escreveu o cineasta, diretor de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel, entre outros.

Meirelles afirma que, se aprovado pela presidente, o código permitirá a madeireiras e fazendeiros que cortem 190 milhões de acres de floresta. "Um território do tamanho de França e Grã Bretanha juntos estaria em risco", além de "70% das bacias hidrográficas", escreveu o diretor, que também condenou a anistia a desmatadores proposta no texto aprovado pelo Congresso.

'Catástrofe'

"Este projeto de lei seria uma catástrofe não só para o Brasil, mas para todo o mundo e nosso futuro. O Brasil abriga 40% da última floresta tropical remanescente no mundo - um pulmão que fornece um quinto do nosso oxigênio. Então, por que o Congresso passou uma lei destruidora como esta? E por que Rousseff apenas não o vetou imediatamente? Simples: os agricultores e a indústria madeireira têm forte influência no Congresso e este poderoso lobby afirma que a legislação é um entrave ao desenvolvimento no Brasil".

Meirelles diz que é falso o argumento de grandes agricultores de que há necessidade de mais áreas de plantio para que se evite a alta de preços de alimentos no Brasil. O cineasta lembra ainda que pecuaristas já usam 500 milhões de acres de terra, com 200 milhões de cabeças de gado, para produzir carne. E que, se desejam produzir mais, deveriam investir em aumento de produtividade e não desmatar a floresta.

O diretor de cinema acrescenta: "Qualquer ameaça à floresta é também uma ameaça aos índios".

"Os interesses dos que vivem na floresta há gerações estão sendo colocados em segundo plano, abaixo de especuladores que fazem uso comercial da terra. Ambientalistas que saíram em defesa da floresta foram acuados, ameaçados e assassinados."

Fernando Meirelles lembra, ainda, que 79% dos brasileiros se opõem ao novo código florestal. O cineasta termina seu texto dizendo que, se não vetar o código, Dilma põe em risco sua credibilidade como anfitriã da Rio+20, conferência que vai discutir crescimento sustentável e redução da pobreza no Rio de Janeiro, que receberá mais de 50 mil participantes do evento em junho.

"O Brasil é visto por muitos países como um modelo de desenvolvimento para o século 21. Este é um momento crucial para definir que tipo de modelo o Brasil quer ser", concluiu o cineasta.

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