Conselho de Segurança condena Síria por massacre

Corpos de vítimas de massacre na Síria (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Ataque na cidade de Houla matou 108 pessoas, entre elas 34 crianças, e deixou 300 feridos

O Conselho de Segurança da ONU condenou neste domingo o uso de artilharia pesada pelo governo sírio na cidade de Houla, onde mais de cem pessoas – entre elas 34 crianças – foram mortas na sexta-feira.

Em declaração adotada por unanimidade após uma reunião de emergência, em Nova York, o Conselho de Segurança disse que os ataques contra a cidade representam "um revoltante uso da força contra civis" e uma violação da lei internacional.

O Conselho de Segurança exigiu ainda que o governo sírio retire imediatamente as tropas de áreas residenciais.

"Os membros do Conselho de Segurança condenaram nos termos mais fortes possível as mortes.. (em Houla), em ataques que envolveram uma série de bombardeios com artilharia e tanques do governo em uma zona residencial", diz a declaração, lida pelo vice-embaixador no Azerbaijão na ONU, Tofig Musayev.

"Os membros do Conselho de Segurança também condenaram a morte de civis com tiros a curta distância e graves abusos físicos", diz o texto.

O governo sírio nega envolvimento e diz que os ataques foram obra de “gangues de terroristas armados”. Nega também que seus tanques estivessem na área no momento do ataque.

Rússia

A reunião de emergência, a portas fechadas, foi convocada após a Rússia – maior aliado internacional da Síria – ter rejeitado uma declaração conjunta da Grã-Bretanha e da França condenando as mortes.

A Rússia exigia, antes, receber informações diretamente do líder da missão de observadores da ONU na Síria, general Robert Mood.

Diretamente de Damasco, Mood relatou aos membros do Conselho de Segurança que 108 pessoas foram mortas – o número inicial era 90 – e 300 ficaram feridas.

Ativistas de oposição afirmam que forças militares do governo sírio bombardearam Houla após protestos realizados na sexta-feira. Segundo os ativistas, algumas das vítimas morreram durante os bombardeios, e outras foram executadas pela milícia “shabiha”, ligada ao governo.

Neste domingo, ativistas de oposição afirmam que pelo menos nove pessoas foram mortas em um bombardeio das forças militares contra a cidade de Hama. Essa informação ainda não pode ser verificada de form independente.

Os confrontos na Síria continuam apesar da presença de cerca de 250 observadores da ONU, que estão no país para monitorar um cessar-fogo negociado pelo enviado especial da ONU ao país, Kofi Annan.

A ONU calcula que mais de 10 mil pessoas já morreram na Síria desde o início da revolta contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

Notícias relacionadas