Egito vai às urnas em eleição presidencial inédita e marcada por temores

Egípcios votam em pleito presidencial no dia 16 de junho de 2012 Direito de imagem REUTERS
Image caption Eleição foi marcada por decisão polêmica da Suprema Corte

O Egito deu início neste sábado aos dois dias de votação do segundo turno da primeira eleição presidencial livre do país.

Os dois candidatos na disputa são Mohammed Mursi, líder da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafiq, o ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak.

O Supremo Conselho das Forças Armadas, que assumiu o controle do país após Mubarak ter deixado a presidência, se comprometeu a entregar o posto ao vencedor até o dia 30 de junho.

O entusiasmo em torno do pleito foi abalado por uma decisão da Suprema Corte do Egito divulgada na quinta-feira que invalidou a primeira eleição parlamentar livre no país em mais de seis décadas. Os juízes da Suprema Corte foram todos indicados por Mubarak durante o regime do ex-líder.

De acordo com a corte, o pleito parlamentar, realizado em duas fases, em novembro de 2011 e em fevereiro deste ano, teria sido inconstitucional porque representantes de partidos puderam competir por assentos no parlamento destinados a candidatos independentes.

Retrospecto

A eleição parlamentar teve como grandes vencedores os partidos islâmicos. O Partido Justiça e Liberdade, ligado à Irmandade Muçulmana, de Mohamed Mursi, foi o grande vencedor, tendo conquistado 100 dos 235 assentos. Os islâmicos fundamentalistas salafistas do Partido Nour também obtiveram uma votação expressiva e foram o segundo bloco que mais elegeu candidatos.

A Suprema Corte também julgou inconstitucional a lei aprovada pelo Parlamento que proíbe ex-representantes do alto escalão do governo Mubarak de se candidatr a cargos públicos por 10 anos.

A lei, que foi aprovada pelo Parlamento no início deste ano, proibiria Ahmed Shafiq de participar da disputa.

Há temores de que os líderes militares do Egito possam ainda dissolver o Parlamento, o que faria com que o vencedor da votação deste final de semana possa tomar posse em um Egito desprovido de um Legislativo que possa fiscalizar e cobrar do futuro líder do país.

Uma assembleia formada por cem integrantes e apontada por parlamentares no início deste ano para elaborar a nova Constituição do país também poderá vir a ser dissolvida.

Acadêmicos, líderes islâmicos e representantes da oposição denunciaram a decisão da corte como sendo um ''golpe'', acrescentando ainda que há temores de que os generais vão procurar assumir o controle do Parlamento.

Votação

Mohammed Mursi foi o candidato mais votado no primeiro turno, tendo conquistado 24,8% dos votos, contra 23,7% dados a Shafiq.

Um total de 52 milhões de eleitores estavam aptos a votar, mas o índice de comparecimento às urnas foi de apenas 46%.

Para a votação deste final de semana, o país contará com 13 mil postos de votação, espalhados pelos 27 distritos do Egito.

As urnas estão previstas para fechar às 20h tanto no sábado como no domingo, mas o prazo poderá ser extendido em ambos os dias.

Segurança

A segurança para a votação foi reforçada e um total de 400 mil soldados e policiais estarão mobilizados nas ruas do país.

A divulgação oficial dos resultados pela Comissão Eleitoral Presidencial deve ser feita no dia 21 de junho.

Mas acredita-se que o nome do vencedor será divulgado bem antes. Os resultados parciais da votação do primeiro turno se deram em 24 horas.

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