Modelo de investimentos estatais no Brasil dá sinais de desgaste, diz ‘NYT’

Obras da Belo Monte, em foto de 15 de junho (Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Obras (como a Belo Monte, acima) 'mostram influência do governo nas áreas importantes da economia'

O modelo de investimentos estatais, com sua grande influência nos rumos da economia brasileira, dá sinais de desgaste, afirma reportagem desta quarta-feira do International Herald Tribune, a versão internacional do New York Times.

Fontes ouvidas pela reportagem dizem que a grande influência desses investimentos gera dependência econômica da mão estatal, pode sufocar o setor privado e provoca excessos: tantos projetos são difíceis de serem administrados simultaneamente, gerando atrasos, aumento de custos e problemas relacionados à mão de obra.

"Numa demonstração da grande influência do governo brasileiro em quase todas as áreas importantes da economia, a presidente Dilma Rousseff está acelerando uma série de projetos de estímulo pelo país, na tentativa de enfrentar a desaceleração econômica", diz a reportagem.

Dependência?

"Mas, num eco do debate sobre gastos estatais na Europa e nos EUA, a ação de Rousseff está provocando ceticismo. Alguns temem que o Brasil esteja ficando muito dependente nos gastos estatais para amenizar os altos e baixos de sua economia baseada em commodities, enquanto outros temem que isso sufoque o setor privado, algo que pode reduzir o crescimento no longo prazo."

O texto cita o papel do BNDES e sua participação em quase 200 empresas brasileiras (contra 95 há uma década) e projetos ligados ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e à Copa do Mundo de 2014.

A reportagem do NYT aponta que "vários projetos de infraestrutura foram aprovados ao mesmo tempo, de estádios a hidrelétricas". Com isso, a alocação de recursos ficou difícil de ser gerenciada. "Atrasos e excessos de gastos, parcialmente derivados de falta de mão de obra, afetaram o projeto de US$ 4 bilhões de transposição do rio São Francisco", segue o texto.

Ao mesmo tempo, porém, o jornal aponta que tanto o governo como empresas estatais, como a Petrobras, defendem o modelo como um "catalisador" para a criação de empregos e a redução da desigualdade no Brasil.

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