Turquia convoca reunião da Otan sobre caça abatido e aprofunda crise com Síria

F4 Phantom Direito de imagem AIRTEAMIMAGES
Image caption Governos da Turquia e Síria discordam sobre local onde caça turco foi abatido

A Turquia disse neste domingo que convocou uma reunião de emergência da aliança militar Otan para discutir uma resposta ao governo da Síria, que derrubou um de seus jatos na sexta-feira.

A Síria afirma que o caça F-4 Phantom havia invadido o seu espaço aéreo. No entanto, a Turquia diz que o avião estava no espaço aéreo internacional quando foi abatido.

Uma porta-voz da Otan confirmou que o incidente será discutido em uma reunião do principal conselho da entidade em Bruxelas na terça-feira.

O governo sírio afirma que não teve nenhuma intenção de provocar a Turquia, e que a sua Marinha está ajudando os turcos nos trabalhos de resgate dos dois pilotos do avião. Eles seguem desaparecidos no Mar Mediterrâneo, e as equipes de resgate estão perdendo as esperanças de encontrá-los com vida.

Os canais de televisão turcos noticiaram que os destroços do F-4 Phantom foram encontrados em águas sírias a 1.300 metros de profundidade, segundo a agência Reuters.

O incidente aprofundou ainda mais a crise diplomática entre Turquia e Síria, que já foram aliados próximos. Desde março, quando começou a insurgência contra o regime do presidente sírio, Bashar Al-Assad, a Turquia reclama que mais 30 mil refugiados cruzaram a fronteira para fugir da violência.

'Missão de treinamento'

Segundo o correspondente da BBC em Istambul, Jonathan Head, a convocação da reunião mostra que o governo da Turquia quer amparo internacional para qualquer resposta que venha a dar ao incidente.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse à televisão estatal TRT – após uma longa reunião com autoridades militares – que um caça sem nenhuma arma a bordo invadiu o espaço sírio por engano, na sexta-feira, por alguns momentos. Segundo ele, 15 minutos depois de deixar o espaço aéreo sírio, o avião foi abatido.

"De acordo com nossas conclusões, nosso avião foi derrubado no espaço aéreo internacional a 13 milhas náuticas (24 quilômetros) da Síria", disse o ministro turco.

Segundo as leis internacionais, o espaço aéreo de um país se estende a até 12 milhas náuticas (22,2 quilômetros) do seu litoral.

A Síria afirma que abateu um "alvo aéreo não-identificado" a 0,5 milhas náuticas (1 quilômetro) do seu litoral. Segundo a nota emitida pela Síria, o avião caiu a 5 milhas náuticas (10 quilômetros) da vila de Om al-Tuyour, ainda dentro das águas territoriais sírias.

O governo turco diz que o avião não estava participando de nenhuma missão secreta relacionada à Síria, e que fazia parte de uma operação de treinamento do alcance dos radares turcos.

A Turquia também disse não acreditar na nota emitida pelo governo sírio, na qual afirma que sequer sabia qual era a nacionalidade do caça.

O incidente também repercutiu fora dos dois países. O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, afirmou que a ação das forças sírias foi "chocante".

"Ela [Síria] será responsabilizada por seu comportamento. A Grã-Bretanha continua preparada para buscar uma ação robusta no Conselho de Segurança da ONU."

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