FMI vê piora no cenário de recuperação da economia dos EUA

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Image caption Relatório do Fundo Monetário Intenacional reduziu estimativas de crescimento econômico dos EUA

O FMI (Fundo Monetário Internacional) rebaixou ligeiramente as suas previsões de crescimento da economia americana para este ano e o próximo, ressaltanto seu pessimismo no relatório anual sobre a economia dos Estados Unidos, divulgado nesta terça-feira.

Segundo as novas estimativas, a maior economia do planeta crescerá 2% em 2012 e 2,25% em 2013 - um pouco abaixo das últimas previsões divulgadas menos de três meses atrás, em abril, que eram de 2,1% e 2,4%, respectivamente.

A redução estatística vem acompanhada de uma mudança no tom da organização em seus prospectos.

Segundo o FMI, a recuperação americana permanece "morna" e "sujeita a riscos elevados", principalmente por causa do risco de contágio pela crise na zona do euro e do chamado "abismo fiscal" - uma série de cortes de impostos e incentivos fiscais que terminarão no fim deste ano, a não ser que o Congresso americano chegue a um plano para eliminá-los progressivamente.

"É crucial garantir um passo de ajuste fiscal no curto prazo que apoie a recuperação, removendo a ameaça de um grande ajuste fiscal em 2013, e adotar planos de médio prazo para restaurar a sustentabilidade fiscal", recomendou o Fundo.

"Nosso cenário central assume que o setor fiscal restringirá o crescimento entre 1 a 1,25 ponto percentual em 2012 e 2013, respectivamente, por causa das medidas de estímulo que expirarão", avalia o FMI.

Analistas estimam que o total de mecanismos que terminariam chegaria a US$ 700 bilhões (US$ 1,3 trilhão) só no ano que vem.

"Uma consolidação fiscal de cerca de 4% do PIB em 2013 (em linha com a lei atual) pode reduzir o crescimento anual para bem abaixo de 1%, com crescimento negativo no início do ano que vem e repercussões negativas em uma economia mundial já frágil", alerta o relatório.

Emprego e política monetária

Depois de registrar um repique no fim de 2011 e início deste ano, o crescimento caiu para cerca de 2% na primeira metade de 2012, notou o relatório.

"A geração de empregos desacelerou desde o início de 2012 e relação emprego por população continua abaixo dos níveis pré-recessão", observa o relatório.

"Esperamos que o consumo seja contido pelo fato de os consumidores continuarem a reparar as suas contas e em meio a uma recuperação lenta dos preços dos imóveis, enquanto o crescimento lento dos parceiros comerciais dos EUA e a apreciação do dólar provavelmente pesarão no crescimento", acredita o Fundo.

A organização considerou que a política monetária americana está "apropriadamente" frouxa e com "espaço para maior afrouxamento se o panorama se deteriorar".

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