Mexicanos vão às ruas para protestar contra vitória de Peña Nieto

Protesto no México | Crédito da foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Manifestantes protestaram nas ruas da capital Cidade do México contra vitória de Peña Nieto.

Cerca de 50 mil mexicanos, segundo estimativas das autoridades locais, tomaram as ruas da capital Cidade do México neste sábado para protestar contra a vitória de Enrique Peña Nieto nas eleições presidenciais do país, realizadas em 1º de julho.

Os manifestantes acusam o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) de ter empreendido um esquema de compra de votos "sem precedentes", ao fornecer vales à população e ao pagar para obter uma cobertura favorável das duas principais emissoras de televisão do país.

"Fora Peña, México sem PRI", gritava a multidão de opositores da avenida Paseo de la Reforma, uma das principais vias da capital mexicana, à praça de Zocalo.

O órgão eleitoral do México, que supervisionou as eleições, confirmou na última sexta-feira a vitória de Peña Nieto no pleito realizado no dia 1º de julho, ao informar que ele ficou à frente de seu adversário, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, por mais de seis pontos percentuais.

Mas muitos dos quase 112 milhões de habitantes do país se recusam a aceitar o resultado, que marca o retorno do PRI ao poder depois de uma lacuna de mais de dez anos.

O partido governou o México por sete décadas até 2000, quando foi acusado de fraude nas eleições e de atos de repressão.

Fraude

"Seria muito ruim se Peña Nieto assumisse a presidência e nós não fizéssemos nada", disse Mara Soto, uma estudante de 21 anos da Universidade Autônoma do México (UNAM).

Em 2006, o candidato da oposição López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD) também terminou em segundo lugar nas eleições que culminaram com a vitória do agora ex-presidente do México Felipe Calderón, mas por uma diferença mais apertada, de menos de um ponto porcentual.

Na ocasião, López Obrador liderou os protestos que paralisaram a Cidade do México por mais de um mês, alegando que houve uma fraude no pleito.

Ele, entretanto, negou estar por trás das manifestações deste sábado, organizadas, predominantemente através de redes sociais, como Facebook e Twitter, e blogs.

Estudantes do movimento oposicionista #YoSoy123, que encabeçaram a marcha pela Cidade do México nas últimas semanas, também afirmaram que não organizaram o protesto.

Peña Nieto, de 45 anos, deverá ser empossado em dezembro. Ele herda um país duramente afetado por uma guerra ao narcotráfico e por uma economia cambaleante, incapaz de criar empregos.

Muitos dos manifestantes aparentavam ser jovens, mas famílias com filhos pequenos e idosos também participaram do protesto.

"Eu não sou jovem, mas estou contigo", gritou Noe Santillan Ortiz, de 50 anos, que fez um pronunciamento à multidão da base do monumento de independência, onde a marcha teve início.

Ortiz bradava palavras de ordem contra o PRI ao que a multidão o acompanhava e expressava apoio.

Gabriel Mendoza, um carpinteiro de 54 anos, afirmou que soube da manifestação pelos seus filhos, todos na faixa de 20 anos.

Segundo ele, Peña Nieto aproveitou-se "da necessidade dos pobres para comprar votos", apontando para um vale-presente amarelo da rede de supermercados Soriana, que teria sido fornecido pelo PRI. O cartão possuía o logo da coalizão do partido.

Imediatamente após a votação, os supermercados Soriana ficaram lotados de gente munida com os vale-presentes que teriam sido entregues pelo PRI, temerosa de que os vales seriam cancelados após o pleito.

O PRI negou as acusações. Segundo o partido, a eleição foi feita de forma transparente e os vales contendo o logo do PRI são parte de um programa de compras especiais.

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